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Frase de Lúcio Cardoso

"Mas... levantar-se? A lembrança daquele sol queimando as folhas e os caminhos, a mesma terra em que o seu corpo nu pousara, dava-lhe uma incrível lassidão. Um calor delicioso adormecia as suas veias - era bom conservar-se assim, os olhos f echados, sem nenhum movimento. E insensivelmente, ela foi levada a pensar na sua infância, como quem cede a um desejo há muito oculto na sua alma. Sorria quase: há tanto tempo... então? Como veria ela as coisas por essa época, a natureza, os homens? Decerto não era do mesmo modo que agora... Uma vez, quando quebrara no jardim um ramo carregado de rosas encarnadas, sentira de repente o gesto de infância – era assim, quase sem sentido direto, como quem vive num sonho ou numa fantasia que não se acaba. Não existia nenhuma separação com os outros objetos – era ela mesma árvore ou rosa aproveitando o sol ardente como aproveitam as árvores, as rosas – e nunca poderia imaginar a fonte calma sem o seu riso, nem o seu riso sem o sussurro da água humilde entre as folhas escuras. Não havia a distância nem o isolamento. Era o campo, com o seu céu azul e as suas tardes limpas, onde os risos das crianças soavam sempre e as andorinhas passavam cada vez mais ligeiras, cada vez mais distantes.. Tudo tinha uma misteriosa correspondência com a sua vida, não eram simples andorinhas que passavam, mas seres conhecidos a quem ela amava e a quem era preciso dizer adeus a cada estio morto ou esperar, na curva do barranco, a cada inverno que findava.... Ela recebia as suas mensagens de terras longínquas – e quando se banhava, era com os olhos fitos no céu, para saber se alguma chegava atrasada, ruflando na grande calma as asas cansadas e solitárias. Eis que de repente tudo passava... Caminhos, caminhos que a sombra ia engolindo aos poucos, gestos que iam perdendo toda a beleza e rompiam as suas misteriosas comunicações, para se tornarem insuportavelmente hostis e individuais... Ah! para as almas morbidamente sensíveis como a sua, aquele rompimento forçado pelo tempo era alguma coisa profundamente dolorosa, que arrastaria sempre pelos dias tristes, com os olhos cegos voltados para os lugares que deixara... A vida não seria apenas a ameaça do tempo e o desejo de voltar? Ah! caminhos! caminhos por onde passara e por onde não poderia mais passar... E a sua dor foi tão súbita e tão intensa que abriu os olhos de novo, inundados de lágrimas.”

Lúcio Cardoso

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Pensador.com

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[Canção da Revolta] ...E se piedade vos sobrar, tende piedade vossa que não sois assim tão poderoso. Que vossos filhos são degenerados, porque não soubestes ser pai e eles se perverteram. Tende piedade vossa que cometestes erro ainda maior: Aprisionastes almas de poetas em corpos de homens. Tende piedade vossa que os feitos à vossa semelhança são vampiros insaciáveis. Tende piedade vossa que há gente com fome, gente com medo, gente com sede e frio, e um dia essa fome se transforma em ódio, esse medo vai se defender e atacar, essa sede vai ser de vosso sagrado sangue, esse frio vai querer se aquecer no calor da revolta. E se mais piedade vos sobrar, tende piedade vossa que não sois o deus carinhoso com que eu sonhei Que sois mal e vingativo, que castigais quando devíeis perdoar. E se piedade vos sobrar tende piedade vossa, que necessitais muito mais de pena do que nós, míseros sofredores.

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"O amigo justo estará presente como árvore que floresce e anoitece.-Porque o amigo passa não como amigo,mas na perfeição do seu intento. Se um amigo for mais do que a palavra diz, for o aprendizado no seu signo de grandeza,o aprendizado no poder permanecer."

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