Frase de Luis Henrique Takatsu
O que há de errado com o tempo? Talvez o erro seja o intento de não aprendermos, enquanto vivemos, a contá-lo no convívio, no movimento. Enquanto ele ecoa, convivemos, às vezes, sós entre nós mesmos. E não percebemos que o tempo pode afastar ou atrair sentimentos. Bons ou ruins, eles vão e vêm sem que percebamos. Ele nos leva por caminhos e cria atalhos inteiros. Ele vai passando como quem escorre entre nossos dedos, sem aviso às vezes rápido, às vezes lento, mas sempre indeciso. Vivemos tudo o que nos permitimos: com a família, sozinhos ou entre amigos. Ele corre quando queremos presença, nos arrasta quando a dor pede licença. Ele voa quando estamos atrasados, e para, sem que percebamos, no sorriso de quem somos apaixonados. Vinte e quatro horas nos são dadas, todos os dias, sempre depositadas. Caem em nossa conta sem permissão, sem pedido, sem merecimento ou explicação. Prometemos a nós mesmos não deixar o tempo passar em vão. Quando crianças, o tempo era mágico, e não tentávamos controlá-lo com um celular nas mãos. Estávamos ocupados colecionando momentos, dádivas nos dadas pelo próprio tempo, para que, quando estivermos perdidos, possamos lembrar… e voltar ilesos. Há dias em que queremos doar, nem que seja um fragmento do que nos resta guardar, quando percebemos que o outro já não terá o tempo que a vida prometeu entregar. Então entendemos o inevitável: o tempo, sim, ele é temporário. Nascemos, crescemos e morremos um roteiro que segue fiel itinerário. Mas como se espera? pergunta o coração. O tempo do último olhar, da despedida em vão? Ou o tempo que passa sem quem amamos, tentando ser inteiros… quando já nos faltamos?
Luis Henrique Takatsu
No pensador.ai desde