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Frase de Dhieferson Lopes

Todas as vezes que um "eu te amo" é dito em vão, alguém, depois de certo tempo, deixa de acreditar no amor. Este alguém, após a decepção amorosa, já descrente no amor por acreditar na veracidade inexistente de um "eu te amo" falso, revolta-se e espalha para os quatro quantos sua grande mentira: o amor não existe entre os homens. Outros por desilusões maiores como a perda definitiva de alguém que tanto se amava, pela morte, pela desistência do outro, por não ser capaz de amar e por não ser amado por ninguém afirmam, erroneamente, a inexistência do amor. Todavia não há pretextos no mundo suficientes para destruir com a realidade do amor, não há argumentos vindos dos homens que farão com que ele deixe de existir. Príncipes, princesas, contos de fadas e todas as outras coisas perfeitas encontradas nos romances são fictícios, não aparecerão com as mesmas características das histórias na nossa realidade. Porém o sentimento principal dos romances existe no mundo em que vivemos, não, necessariamente, do mesmo modo em que ele se apresenta na ficção. Desacreditar nos desiludidos, e não ignorar sua vivência frustrante com amor, pois ela pode servir como prevenção, é um dos maiores passos para que o amor perca sua falsa fama de inexistência e também sua falsa definição. É preciso também não agir como fizeram eles, os desiludidos, que tornaram um caso sofrido em uma evidência concreta para incriminar o amor. Decepções amorosas não são provas que o amor não existe, sejam elas quais forem.

Dhieferson Lopes

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Pensador.com

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Outras frases de Dhieferson Lopes

Fatores externos não influenciam a sexualidade, tampouco fazem surgir uma nova fração dentre ela. Justificar e inventar sexualidades é apenas um pretexto encontrado pelos covardes para esconderem aqueles que são de verdade.
A estrela que mais brilhar Sentado na varanda do meu casebre eu avistava as estrelas iluminando o céu negro enquanto fazia movimentos de vai e vem na cadeira de balanço. Recordava-me dos momentos em que Samuel era vivo e o quanto o mesmo reclamava das coisas. Eu ainda era capaz…
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A estrela que mais brilhar Sentado na varanda do meu casebre eu avistava as estrelas iluminando o céu negro enquanto fazia movimentos de vai e vem na cadeira de balanço. Recordava-me dos momentos em que Samuel era vivo e o quanto o mesmo reclamava das coisas. Eu ainda era capaz de ouvi-lo protestar da demora do almoço, da comida muito quente, das toalhas molhadas em cima da cama e de muitas outras coisinhas presentes na rotina de um casal - ele era cabeça dura, levou um tempo para admitir para si mesmo que nós éramos um casal. Samuel era teimoso e demorou muito para se aceitar como um gay, mesmo depois que estávamos juntos, ele vivia dizendo que não era um, mas que me amava mais do que qualquer outra mulher que já havia conhecido. Os dizeres, da pequena cidade, o inibia e o deixava com receio. Algumas brasas de coragem queimavam em Samuel, todavia ele jamais falou, e jamais exporia sua sexualidade em público. Talvez também fosse para não perder sua pose de machão, porém acredito que ele agia daquela maneira por medo de que fôssemos apedrejados em praça pública. Após sete anos nos agarrando às escondidas nas madrugadas, em pastos distantes, em riachos e rios poucos frequentados, em celeiros e construções abandonados ou em qualquer outro lugar distante dos olhos de terceiros, decidimos morar afastados daquele povo. Planejamos uma saída discreta. Samuel foi embora com sua prima que sabia do nosso caso. Fizemos a cidade acreditar que eles dois tinham partido para morarem juntos. Camila aproveitou para fugir com um fazendeiro pelo qual desejava. E Samuel partiu sozinho para uma área isolada de uma cidade distanciada, construiu uma humilde casa e, através de cartas, me chamou para viver junto a ele. Apesar de gostar da minha simples cidade e amar a minha família decidi partir sem muito pensar. Amar está conectado ao processo de ceder e a abdicação de coisas que julgamos ser imprescindíveis em nossas vidas. Totalmente seguro, deixei tudo para trás. Eu dei a desculpa que estava farto daquele pequeno lugar. Era fato que ficaria exausto de lá com o tempo, Samuel estaria longe. E, sinceramente, pouco me importava o local onde eu estivesse contato que Samuel se fizesse presente ao meu lado. Vivemos durante muito tempo juntos. Por mais que estivéssemos distantes de muitas coisas, a presença de um alimentava a sede e o prazer de continuar a viver e ser feliz do outro. Samuel foi o meu primeiro e único homem, mas eu não fui o primeiro, tampouco único homem da vida dele. Desde pequeno eu soube sobre mim, nunca precisei ter relações com uma mulher para ter a plena certeza de que era gay, assim como meu pai nunca precisou deitar com o homem para ter a convicção de que era hétero. Com Samuel foi diferente, ele ficou com muitas mulheres, era inseguro e fazia isso para manter a pose de heterossexual perante a sociedade. Os relacionamentos que Samuel tivera com mulheres não partiam da sua genuína e natural vontade, eles serviam apenas para esconder a sua sexualidade. Samuel, apesar de todas as brigas e implicâncias, sempre estivera comigo em todas as situações que enfrentei. Éramos dois corpos conexos vigorosamente por meio dos nossos espíritos. Samuel começou a ter problemas cardiovasculares e respiratórios, aos sessenta e nove anos, por conta dos poucos cigarros que fumava. No seu terceiro enfarte, quando eu chorava em desespero com medo de perdê-lo, Samuel me disse que quando não estivesse mais presente neste mundo seria uma estrela, olharia por mim sempre que aparecesse e que caso eu quisesse também vê-lo bastaria eu olhar para aquela que mais brilhasse em todo o céu. A declaração fez com que minhas lágrimas se triplicassem e encharcassem o meu rosto. É difícil, para qualquer pessoa que cultiva o amor, perder aquele que mais se ama. Imóvel naquela varanda desértica eu contemplava as constelações. De repente uma estrela reluziu mais que todas as outras, de modo notável. Parecia que ela estava a sorrir para mim. Respirei fundo, meus braços levantaram-se levemente em direção ao céu, meus dedos se abriram, como o brochar de uma rosa, ao tentarem alcançar a estrela, uma lágrima desceu do meu olho esquerdo e percorreu meu rosto até afundar-se na minha barba grisalha. Aquela foi a última noite que meu coração bateu.

Quão grande é o poder pertencente às palavras. Maiores ainda são os efeitos que elas podem causar. É perigoso descrever coisas ou compará-las a outras fazendo o uso de vocábulos que julgamos ser parecidos, precisos ou adequados. O contexto de uma frase muda, de modo significativ…
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Quão grande é o poder pertencente às palavras. Maiores ainda são os efeitos que elas podem causar. É perigoso descrever coisas ou compará-las a outras fazendo o uso de vocábulos que julgamos ser parecidos, precisos ou adequados. O contexto de uma frase muda, de modo significativo, caso haja adição ou subtração de alguma palavra. O que dizemos hoje pode não ser uma realidade amanhã. Numerosos são os segredos contidos nas palavras, usa-se a interpretação para o descobrimento destes. Quando a interpretação é aprimorada ela causa resultados como a fuga do comodismo, o questionamento constante, a busca do saber e a curiosidade em descobrir o que há por trás das simples concepções. Dessa forma é gerado um estado evolutivo da interpretação: a criticidade. Há uma enorme diferença em dizer que o céu fica bonito quando está azul e o céu só fica bonito quando está azul. O sábio é capaz de entender que a utilização das palavras exige extrema cautela. Principalmente quando coisas que se alteram são comparadas à espiritualidade, ao divino, à explicação de um todo ou até mesmo aos sentimentos. Alguém que afirma, no passado, que o amor ou outro alguém possui o mesmo calor que o sol com o intuito de ser romântico, certamente, será interpretado como um insensível ou suicida por alguém que vive no futuro – século vinte e um – e enfrenta a insuportável quentura do aquecimento global. O ser crítico percebe que nem tudo o que está escrito é, necessariamente, a verdade. É apto a desvendar que não se pode ter apenas como verdade absoluta um livro que agrega escritas registradas, por homens, em um passado distante.