Frase de Eliete Ribeiro
O Eclipse de Mim Eu entrei no seu mundo com a urgência de quem carrega um farol. Fiz uma promessa silenciosa — e talvez imprudente — de que nenhuma sombra sua seria maior do que a minha vontade de te ver bem. Segurei sua mão com força, acreditando que o meu calor seria suficiente para dissipar o seu inverno. O problema de tentar iluminar um abismo é que, aos poucos, a gente esquece como é a luz do sol. Caminhei tanto tempo no seu escuro, tateando as suas dores e tentando organizar o seu caos, que os meus olhos se acostumaram com a ausência de cor. No meio do caminho, o brilho que eu tinha foi sendo consumido pelo esforço de te guiar. Hoje, a mão que guiava é a mesma que tateia as paredes, em busca de uma saída. Percebi, da maneira mais dolorosa, que ninguém pode ser o sol de outra pessoa sem acabar em cinzas. Eu me perdi no labirinto que você criou. E agora, com a voz rouca de tanto gritar direções que você não quis seguir, eu finalmente entendi: o meu resgate precisa ser a minha prioridade. Estou soltando a sua mão. Não por falta de amor, mas por falta de fôlego. Agora, sou eu quem precisa encontrar o caminho de volta para casa.
Eliete Ribeiro
No pensador.ai desde