Frase de Eleni Mariana de Menezes
Cristo Suponho que tinhas a impetuosidade Do homem que nasceu Santo. E que podias mandar e desmandar Da ordem natural das coisas. E é sabido que o fazias. Pássaros de barro voar. Meninos malvados caírem mortos E secos diante da tua ira. Deus entre o mal nascido por escolha Pobre e revolucionário. Do contrário o que pregam é heresia. Ou serei eu a única herege? Porque fico ensimesmada Ante tamanha contradição. Não que eu não acredite em tua Divindade. Deusdade. Mas, convenhamos Senhor Morrer por um mundo torpe? Desigual até ultrapassar limites De aceitação pacífica e cômoda. É ultrajante. Ver caminhar entre rios de dinheiro. A corja maltrapilha e esfomeada. Os excluídos do bojo da abastança. É, no mínimo, insofismável. De que morreste em vão. Ou não? Tenho sido anacrônica Por voltar atrás em busca De conceitos e preceitos Que não casam mais na nossa dura realidade. Fria e calculista. Do mercado capitalista. Que utiliza seu nome para gerar fartura De dinheiro, não de almas. Vendem sua fala que torceram Para enganar o incauto. Duvido que falavas em divisões Desiguais. Aconselhando-nos A não nos importarmos com os pobres Pois o mundo sempre os teria. Não consigo imaginar um Deus Criando um mundo para povoá-lo De miseráveis. E vê-los chafurdar na lama Por puro prazer. A desigualdade Senhor, é filha Da cobiça Do desmando dos lá de cima. Que acham que podem posar de Donos e posam sem escrúpulos De curadores de almas e feridas Da humanidade esquecida Dos direitos básicos da vida. E se foi por ela que morreste, Então por que tardas tanto? Senhor, em voltar. Já é sem tempo, pois o teu mundo Degringolou Tudo piorou. Tens de vir para ficar. Não morrer mais pendurado Pelos pecados. Mas ficar eternamente entre nós. Pois o que pregam é tão distante. Da verdade; Que nós deixam errantes. E incrédulos. Da tua sorte. Da tua escolha de morte.
No pensador.ai desde