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Frase de Jorge Nicodemos

Roteiro No caminho de volta pra casa, enquanto eu caminhava por aquele monte de avenidas que se estendiam diante dos meus olhos, percebi que uma friagem veio de encontro a mim. Parecia anunciar a vinda de uma chuva daquelas. Foi coisa rápida. Só tive tempo mesmo de pensar em como seria bom se você estivesse segurando na minha mão, naquele momento. Apenas para que eu pudesse achar graça do seu jeito discreto de ficar feliz com o movimento do ar. - Ei, olha isso! – Você diria, com o maior sorriso do mundo como que exposto numa vitrine. Entre um cruzamento e outro, já perto do meu destino, notei que no alto de um poste à minha direita, uma caixa de som, antiga e desgastada pela ação do tempo, ainda se mantinha firme e razoavelmente forte. Naquele exato momento estava tocando, por incrível que pareça: Gene Kelly - Singing İn The Rain. Na mesma hora, pensei: Caramba! É sério, isso? Sei que você também gosta. E que de certo pensaria em me pegar pelos braços e confortavelmente se acomodar na paz que você tanto diz residir entre o peito e meus braços. O que certamente teria a minha aprovação, já que eu adoro a visão dos seus cabelos ao prazer do vento. Isso, sem falar do cheiro... Enquanto o sinal estava fechado para os pedestres, me mantive absorto em pensamentos. Lembro de uma senhora ter-me chamado a atenção para perguntar se eu precisava de alguma coisa. Acho que minha cara indicava que eu não estava ali. Logo meus olhos se perderam ainda mais naquela imensidão e meus pulmões responderam por mim. Respirei fundo e apenas lhe sorri de volta, indicando que ela não precisava se preocupar. É estranho, mas aquele contexto me fez pensar que a saudade alimenta uma esquisita relação entre o amor e o ódio. Pois veja bem, é notório que adoro quando você chega com aquele sorriso que deixa na cara a sua vontade - que também é minha – de trocarmos tudo que estamos fazendo, por um daqueles beijos que sempre terminam em mordidas e gargalhadas. O que bem poderia estar acontecendo agora, diga-se de passagem. Mas odeio quando nossos compromissos limitam a nossa tão simples vontade de passarmos mais alguns instantes deitados, em silêncio e tentando de forma disfarçada, sincronizar nossa respiração com a do outro, seja lá pelo motivo que for. Enfim. Cheguei em casa e não lhe vi. Aquilo me levou á conclusão de que, verdadeiramente, estar em casa é bom. Que ter um lar é reconfortante. Mas que, no final da história - e do dia - o melhor lugar que existe, sem sombra de dúvidas, sempre será dentro de um abraço. E eu quis o seu, no meu. Conjugando assim o tempo que, não importa até quando, sempre será nosso. Presente.

Jorge Nicodemos

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Jorge Nicodemos

E que aqueles que amam não deixem de dizer o que sentem. E tendo dito, que sigam a partir dai, tendo o passado sendo conjugado sempre no seu tempo, ainda que por vezes ele teime em bater à porta do presente.
Eu acho uma delícia este laço de amizade que existe entre os sentidos. Essa forma - ás vezes - tão discreta como eles interagem sem promover maiores alardes e ainda assim deixam tudo tão claro. Tão óbvio. Tão liberto dos subentendidos da vida. É como acordar mais cedo e ver que…
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Eu acho uma delícia este laço de amizade que existe entre os sentidos. Essa forma - ás vezes - tão discreta como eles interagem sem promover maiores alardes e ainda assim deixam tudo tão claro. Tão óbvio. Tão liberto dos subentendidos da vida. É como acordar mais cedo e ver que por você ainda estar, quem sabe, no meio de um daqueles sonhos gostosos que poderiam durar mais uns 15 ou 30 minutos, lhe encontro sem defesas e à mercê dos meus desejos. Cada um deles. Todos contidos sob o ardor da minha pele desde cedo inquieta. E antes que eu siga até as janelas a fim de cumprimentar o novo dia, ainda que pelo tom de azul do céu e a vivacidade dos raios do sol, estes sejam convites praticamente irrecusáveis, eu sinto como é inevitável atender às vontades da minha pele que clama pela tua. E assim eu fico mais um pouco. Sutilmente lhe acaricio os cabelos cuidadosamente emaranhados sobre a orelha direita. Por alguma razão a minha preferida. E lhe descubro e desperto com um sorrateiro beijo numa das suas bordas ainda sob o status de presa fácil. - Bom dia! Eu digo baixinho. E com um leve movimento das suas pernas ainda reféns das minhas, percebo que mesmo através de um som quase inaudível, o seu sentir sempre reconhece o meu. E reage. E assim tudo se encaixa como peças moldadas exatamente umas para as outras. Toco sua nuca e ouço um suspiro. Vejo sua pele se eriçar e não resisto ao impulso por sentir teu cheiro de preguiça fixado também na roupa de cama. Dou-lhe um beijo num dos ombros enquanto enlaço meus dedos nos seus e recebo seu espreguiçar vagaroso, ainda com as pálpebras tão pesadas que nem levantaram voo. - Hmmm. Bom dia! Você me diz de forma arrastada. Com um abraço firme lhe trago de encontro a mim. Com um sorriso você traz a certeza da escolha. No silêncio nos encontramos. O café que espere.

Espero que um dia eu possa sentar num banquinho desses de praça e tenha a tarde inteira como testemunha dos meus sorridentes flashs de memória de uma vida realizada. Vida essa que eu tive o prazer de compartilhar com uma Mulher que sempre soube como transformar um momento qualqu…
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Espero que um dia eu possa sentar num banquinho desses de praça e tenha a tarde inteira como testemunha dos meus sorridentes flashs de memória de uma vida realizada. Vida essa que eu tive o prazer de compartilhar com uma Mulher que sempre soube como transformar um momento qualquer, na parte mais feliz do dia em cada um dos seus ínfimos detalhes, ainda que por vezes ela nem fizesse ideia disso. Que no decorrer deste diálogo gostoso entre a saudade e a gratidão, possamos rir com gosto, dos tantos tropeços que feriram os nossos pés mas não nos impediram de continuar caminhando juntos, lado a lado, como se a menor possibilidade de afastamento resultasse num provável tombo pela falta de uma parte de nós mesmos que coabita a existência alheia. Que a cada dia possamos olhar nos olhos do outro e perceber que continuamos sendo a trilha sonora que embala nosso melhor sorriso-cúmplice. E que ele jamais permita que as amarguras externas nos tirem a alegria de ver no outro, a razão para sempre agradecermos por mais um despertar com aquela voz gostosa promovendo os risos sempre tão soltos e leves. E que tenhamos, apesar dos dias cinzentos, a certeza de que valeu a pena ter acreditado, um dia após o outro, que estivemos sempre no lugar exato. Que o nosso sim foi o responsável por hoje termos consciência de que o tal final feliz, talvez seja apenas o seguir em frente, quando tudo parece estar por um fio, mas logo retoma sua estabilidade e consistência, porque permanecer é coisa de quem não tem medo de ficar.

Talvez um dia alguém lhe escolha como anjo da guarda. E esta decisão não será baseada na ilusão de que você possui super poderes, mas sim na certeza de que, como nenhuma outra pessoa, você consegue fazê-lo(a) enxergar e compreender o outro lado da dor. Aquele onde fica guardado,…
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Talvez um dia alguém lhe escolha como anjo da guarda. E esta decisão não será baseada na ilusão de que você possui super poderes, mas sim na certeza de que, como nenhuma outra pessoa, você consegue fazê-lo(a) enxergar e compreender o outro lado da dor. Aquele onde fica guardado, muito bem escondido, o ensinamento que todo sofrimento sempre traz na sua bagagem. E mesmo sabendo que nem sempre terá o que dizer, você sentirá orgulho por ser um porto seguro para alguém que compartilha a vida sem receio de que você o(a) veja desprovido(a) das suas guarnições. Alguém representado agora por milhares de fragmentos do que um dia já foi fortaleza. Você será aquela pessoa que logo virá em mente quando ele(a) precisar repousar a alma cansada de bancar a durona. E será chamado(a) (ou procurado) sempre que o seu colo - carregado de ternura - for o travesseiro indispensável para transmitir a sensação real do acolhimento. E eu entendo que em determinadas situações, tudo o que queríamos era ter uma carta extra na manga. O dom de tocar naquela vida e instantaneamente extrair toda a dor que existir, deixando espaço apenas para suaves prestações de uma felicidade que por ora lhe parece distante. Mas para ser um anjo da guarda não é preciso mais do que a disposição para ouvir o que o coração já não suporta guardar sozinho, a serenidade para orientar até onde lhe é cabível e a sensibilidade para perceber quando os braços abertos se fizerem a mais confortável moradia para uma vida cansada. Se o seu dia de anjo da guarda, chegou, agradeça. Nunca se sabe quando o nosso pouquinho será tudo o que alguém pode estar precisando. "Gosto de pensar assim: se a gente faz o que manda o coração, lá na frente, tudo se explica."