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Frase de Gerson Amaral

EU QUERIA TER MEU PAI AQUI Eu queria ter meu pai aqui. Do meu lado, pra me ver. Junto a mim, a me ouvir. Para ouvir as histórias dele e com ele muito aprender. Fomos órfãos muito cedo. Não nos tivemos por muito tempo para criarmos mais lembranças! E quando as tomo, dessa distância, é deste cerco que eu me fiz. Eu queria ter meu pai aqui. Não na saudade — mas na vida que me traz! Olhar nos seus olhos. Acariciar seu rosto. Ouvir sua voz já deslembrada, que o tempo calou. Destapar o silêncio... para ouvir as histórias que um dia ele começou. Ficar no seu abraço, sem me largar... jamais.

Gerson Amaral

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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A VESTIMENTA DA GUERRA (Poema sobre os horrores dos conflitos e a injustiça dos inocentes que pagam o preço) Vestida de cinza, de fogo e de pranto, a guerra caminha sem rosto e sem canto. Não tem coração, mas tem ordens em punho, e assina sentenças num frio conjunto. Nos salões do poder, bebem vinhos, decidem. Assinam destinos — mas nunca os vivem. Mandam soldados, filhos de alguém, pra morrer por um trono, por petróleo ou por “bem”. A criança que chora, não sabe o porquê. Só sabe que a mãe não vai mais lhe acolher. Que a casa virou entulho no chão, e que seu brinquedo jaz sob explosão. O velho, cansado, sem pátria ou abrigo, sente o chão sumir — não tem mais abrigo. A sopa que faltou, a reza que escapa, a lágrima muda que desce e desaba. A mãe que amamenta no meio do medo, vê o filho ir pro front — sem querer, sem segredo. Briga que não é sua, dor que não tem fim, mas que corta a carne, invade o jardim. O pai, sem paredes, sem teto, sem pão, carrega nos braços o resto do chão. Os olhos perguntam: “Por que, meu Senhor?” Mas as bombas respondem com mais desamor. E o soldado que parte, coração em pedaços, com fuzil nos ombros e culpa nos braços. Cumpre ordens que o peito não quer, e destrói o que resta de algum outro lar qualquer. Ele ora em silêncio, enquanto avança, lembrando do filho, da esposa, da dança. Mas precisa apertar o gatilho, sem ver — que o homem que cai poderia ser você. Ele não quer matar. Mas foi enviado. Com uniforme limpo, mas o espírito rasgado. Porque é fácil mandar, de poltrona e discurso, e pôr na mão dos pobres o peso do absurdo. Enquanto isso, em terno, gravata e cifrão, os homens da guerra tomam decisão. Covardes demais pra pisar a trincheira, valentes demais pra matar por bandeira. E a vida se perde em nome da glória, escrevendo de sangue a mesma velha história. Ganância, poder, dominação, vaidade — e a morte batendo à porta da humanidade. A guerra tem roupa, mas não tem alma. Tem fúria no peito, mas não tem calma. Quem veste essa dor é sempre o pequeno — que morre calado, que sofre, que é pleno.

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