Frase de Esdras Goulart Bueno
Os dois viajantes Um dia estava o tempo Pela estrada a caminhar, Quando avistou um viajante Que em sua direção estava a trilhar. Então, aos poucos foram Se aproximando devagar, Entreolharam-se por alguns instantes E depois puseram a se cumprimentar. Perguntou logo o tempo Quem era o viajante, naquela estrada esquecida, Este mesmo então se apresentou Muito prazer, eu sou a vida. Sou alguém, que sempre anda Procurando assim cuidar, Destas cordas finas, e sensíveis Que neste violão, estão a se preservar. Olhou então o tempo Nas mãos do viajante, Que carregava um instrumento Um violão diferente e elegante. Este tinha muitas cordas E cada uma era de um jeito, Com cores e espessura variadas Era simplesmente perfeito. É um belo instrumento Admirado estou bastante, Eu gosto tanto de música Poderia tocar algo interessante? A vida logo de repente O seu semblante mudou, E com um ar de tristeza Ao tempo então explicou. Meu caro peço desculpas Parece difícil de imaginar, Mas este lindo violão Eu não consigo tocar. Pois ele é especial Tento entender seu funcionamento, As cordas se replicam, e desaparecem E alternam-se a todo momento. Desta forma, não é possível Um som qualquer, entoar, Quando estou tocando, por exemplo A corda que quero, some no ar. Outras vezes, se faço então A corda com os dedos vibrar, A mesma que produz um tom De uma hora pra outra, o faz modificar. Assim, o tempo ouviu De forma atenta, o viajante, E ao pensar por um momento Teve uma ideia empolgante. E ao olhar o instrumento Como que por intuição, Deduziu por entre as várias cordas A qual iria iniciar uma canção. Fez à vida uma proposta Vamos um teste fazer? Você faz vibrar as cordas Que eu apontar e dizer. A vida por um instante Achou a ideia diferente, Aceitou o pedido do tempo E ficou esperançosa, e sorridente. E aconteceu, que maravilha! Um momento muito importante, Onde a vida e o tempo Fizeram tocar uma música emocionante. O tempo com o seu dom As cordas do instrumento, examinava Escolhendo a próxima corda Que a vida então tocava. A música que entoou Por eles não era conhecida, E ao coração dos dois tocou O tempo, e também a vida. E assim, a partir de então Deste encontro a se realizar, O tempo e a vida passaram A sempre juntos caminhar. E logo laços de união Entre estes dois formaram, E de dois estranhos Irmãos para sempre, tornaram. E permanecem até hoje, Em seus caminhos a trilhar, Estão sempre juntos conosco Para o nosso destino guiar. Não podemos vê-los Pois parte de nós, eles são, Infiltrados em nossa essência E quem sabe até em nosso coração? Assim, não desanime da vida E nem culpe o tempo por passar, Afinal, qual será a próxima canção Que para você, estão os dois a criar?
No pensador.ai desde