Frase de Alessandro Teodoro
Não há desperdício maior que falar de civilidade para os apaixonados pelos que usam o nome de Deus e da igreja para se esconder, aparecer e se promover. A civilidade exige algo que a idolatria jamais consegue oferecer: senso crítico. Quando uma pessoa se apaixona por figuras, líderes ou discursos a ponto de abdicar da própria capacidade de questionar, a verdade deixa de ser um valor e passa a ser apenas um detalhe, e muito inconveniente. Ao longo da história, muitos aprenderam que símbolos religiosos possuem um enorme poder de mobilização. Por isso, não são raros aqueles que transformam a fé em palco, a devoção em marketing e a espiritualidade em instrumento de autopromoção. Escondem interesses pessoais atrás de discursos piedosos, vestem a aparência da virtude e utilizam o respeito que as pessoas têm pelo sagrado como uma espécie de escudo contra críticas e questionamentos. O problema se agrava quando admiradores confundem reverência com submissão intelectual. Nesse momento, qualquer análise equilibrada passa a ser interpretada como perseguição, qualquer crítica se torna blasfêmia e qualquer evidência contrária é descartada em nome da lealdade ao personagem admirado. A civilidade, que pressupõe diálogo, responsabilidade e coerência, perde espaço para a paixão acrítica. A fé autêntica não deveria temer perguntas… Pelo contrário, deveria acolhê-las. Quem confia na verdade não precisa esconder-se atrás de slogans, nem transformar líderes em figuras intocáveis. A maturidade espiritual se revela justamente na capacidade de separar a mensagem do mensageiro, os princípios das conveniências e a devoção sincera dos interesses disfarçados de santidade. Talvez uma das maiores tragédias de qualquer sociedade seja quando a aparência de religiosidade passa a valer mais do que a prática dos valores que ela proclama. Nesse cenário, a compaixão cede lugar ao fanatismo, a humildade dá lugar ao exibicionismo e a busca pela verdade é substituída pela defesa incondicional de pessoas e grupos. A civilidade floresce onde existe honestidade intelectual. E a honestidade intelectual começa quando alguém encontra coragem para admitir que nem todo aquele que fala em nome de Deus está a serviço dos valores que afirma defender. Afinal, o sagrado não se mede pelo volume dos discursos, pela quantidade de seguidores ou pela visibilidade dos púlpitos, mas pela coerência entre aquilo que se prega e aquilo que se vive.
No pensador.ai desde