Pular para o conteúdo

Frase de Célia Carracha

⁠Lisboetas, não me sigam que eu não sigo Lisboa; De Lisboa trago no peito os estudantes e suas histórias que deslocados como eu, de outras zonas do país, de outros países, de diversas áreas de estudo, em Lisboa a dada altura se encontraram e conviveram - amei, aprendi; Mas esses estudantes que tal como eu procuravam apoio, algum conforto, algum convívio, escapar um pouco ao seu isolamento nesta cidade fria,... - não era por acaso o nosso encontro - traziam consigo também muita dor, alguns simplesmente regressaram a suas terras natais, outros simplesmente não o podiam fazer por várias razões, ali permaneciam por anos, os estudos deixavam de ser a sua razão de estar em Lisboa, a sua ligação às Universidades servia muito mais como necessidade para ter visto e permanecer neste país - em muitos casos já nem tinham pátria e noutros tinham uma pátria em guerra, além de outros motivos; o meu foi ter sido ostracizada desde os 18 anos por membros da minha família, a minha razão de permanecer em Lisboa prendeu-se com o facto de ter servido mais a outros do que a mim própria . interesse nas matérias? como ter consciência disto e manter as notas e rigor pelo qual sempre me havia pautado?... Eu, outros que como eu se reuniram em Lisboa, não era Lisboa que queríamos, era a nossa casa, a nossa família, o nosso país, e que o nosso país permitisse estudar, viver, continuar a crescer e a fazer crescer o povo a que de facto pertencemos um dia. Agora passear em Lisboa nada me diz, já não encontro lá as caras amigas ou pelo menos as com que mais convivia, nem sequer era expectável, estava implícito que entre nós eramos livres de estar ou não, de falar ou não, de aparecer ou desaparecer, de dizer o que pensávamos ou não,..; apenas havia uma regra, também implícita, o respeito. No primeiro dia que a Lisboa cheguei chorei agarrada as paredes da rua da escola politécnica, não era meu hábito chorar, muito menos no meio da rua, mas chorei compulsivamente como um bebe, não querendo ficar, não podendo evitar de ficar; fiquei...até hoje. Tudo é vazio para mim em Lisboa, desde há muito. Tudo esvaziou gente e gente em Lisboa. Não são as suas ruas que deram significado a Lisboa, outras terras, outras cidades, são as pessoas. Querem manter o turismo, querem mudar o povo que lhes deu a sua originalidade, estão a despir esta cidade e aos olhos de todos querem vender aos turistas a Lisboa de outra ora; pode durar uns anos, e depois cessa e enquanto isso a cidade já foi vendida; não sendo Lisboa, não sendo uma terra, sendo apenas uma pessoa, se por todos os meios me despojarem de mim própria, deixo de ser quem sou, tal como Lisboa ou outra terra ou pessoa; ao me despojarem de mim, ganharam uns anos para comprar e vender o que querem, depois também cessa, mas já cá não estou mesmo que o meu corpo permaneça, fica aqui o meu testemunho enquanto ainda há algo de mim em mim própria que não me tiraram. Não me sigam lisboetas, eu não sigo Lisboa!

Célia Carracha

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Célia Carracha

Promessa para os meus inimigos e para ou outros. Até ao meu último sopro de vida irei lutar; Irei utar para não quebrar alguém, para que alguém não sofra tanto;
Continuar lendo

Promessa para os meus inimigos e para ou outros. Até ao meu último sopro de vida irei lutar; Irei utar para não quebrar alguém, para que alguém não sofra tanto; Entendo o que é viver com o coração partido, jamais seria alarve para o fazer; Irei sempre tentar preencher o meu coração vazio com o brilho dos olhos dos outros; Talvez por mim, talvez por todos, quero ver os olhos tristes tornarem a sorrir; Por tudo isso irei lutar; Sei que por mais que tente preencher o meu coração com o bem de outros será uma luta eterna pois terei momentos de alegria mas jamais serei outra vez feliz. De qualquer forma lutarei até ao fim. E neste ano... Qual fera ferida irei arrancar do peito toda a força que há em mim; E com ela irei esmagar meus inimigos. Aqueles que já comigo se cruzaram, Aqueles que olharam meus olhos doces, Aqueles que ousaram pensar e agir... Não sabendo quem sou mas como se nada fosse, Os mesmos que por vezes me leem aqui, Para verem se sucumbi ou se resisto, E que entre medo, terror e pânico mostram as garras...os dentes, Mas me dizem...olhe que eu sei escrever bem!...hum já dizem tudo! Mas que bestas Deus colocou na terra! E eu besta me defendo, Escrevam, escrevamos todos, Veremos quem ganha a guerra! Agora que nos conhecemos todos. Célia Carracha.

⁠Só quero um pouco de paz. Só quero menos ruído e mais melodia. Só quero menos agrura e mais doçura. Só quero... É...sonhar não faz mal, pena que se tenha de esconder dada a incompreensão e o receio do que a força do pensamento, da vontade, da persistência, das ideias, da criat…
Continuar lendo

⁠Só quero um pouco de paz. Só quero menos ruído e mais melodia. Só quero menos agrura e mais doçura. Só quero... É...sonhar não faz mal, pena que se tenha de esconder dada a incompreensão e o receio do que a força do pensamento, da vontade, da persistência, das ideias, da criatividade, da diferença, incomode tanto. Teremos de voltar a memorizar livros para que a cultura se transmita de geração em geração, para que a história não se esqueça, para que se mantenha alguma da nossa identidade e dignidade, para nos sintamos gente viva e capaz de pensar com alguma liberdade...é que os livros foram queimados,... De uma forma simples e clara, para que não nos convençam de que uma maça é uma laranja, e por aí fora. A liberdade não é garantida, nada é garantido, a luta tem de ser constante e contínua, a atenção te de ser aguçada, os olhos tem de se manter bem abertos e com um olhar atento, os ouvidos precisam escutar e não só ouvir, o silêncio a reflexão e nunca a indiferença. Obrigada aos que não temem a verdade e que a fazem valer apesar dos custos que acarreta!