Frase de Maria Riber
À meia-noite, soaram as doze badaladas que marcaram o fim e o princípio. Era o prenúncio de uma metamorfose, como se eu houvesse rasgado a pele do que fui, para respirar, enfim, em um corpo que me coubesse. Lancei âncora em minha própria mente, mergulhei fundo no que antes deixei inacabado. E com Deus indo à frente, como vento que abre caminho no mar, sei que nada será impossível. O futuro brilha no horizonte como uma estrela que arde, mas levo o passado comigo como quem carrega cartas antigas no bolso, com saudade e gratidão. Ninguém entende. E tudo bem. Há coisas que nascem só para serem sentidas. Meu espírito, antes contido, agora voa. E não pedirá mais licença para falar. Ele habitará minha carne como fogo habita a chama, sem se apagar. Porque há uma verdade dentro de mim que não veio de mim, mas que, mesmo assim, me escolheu como casa. Minha missão não é gritar por ela, mas viver de um jeito que o mundo a escute. Não é delírio, é despertar. Como se, depois de tanto adormecida, a vontade gritasse em mim; forte, urgente, viva. E dissesse: Caminha. Não estarei sozinha. Nunca estive. Agora é marco. Agora é passo. Agora é fogo no peito e fé no chão. Agora, enfim, eu caminho.
No pensador.ai desde