Frase de Emanuel Bruno Andrade
Canto de Portugal e de Camões No peito a Pátria, em verso navegada, Por mares de epopeia consagrada, Ergue-se o canto, firme, em luz segura, De um povo em alma, em fé, em voz tão pura. Camões, bandeira ao vento do destino, Na lira ergue o império cristalino, Que não se mede em ouro ou em batalhas, Mas sim na arte, em ondas e muralhas. Cantaste a glória e a dor de ser-se gente, De ir mais além, com peito resistente, E ao mundo deste a língua que enlaçamos, Nos cantos e saudades que levamos. Numa gruta escondida e solitária, Forjaste o verso em chama visionária, E o Tejo ouviu tua pena iluminar O céu dos navegantes pelo mar. Trazias na memória a antiga grei, Dos deuses, dos heróis e de um rei, Mas foste mais: a voz da liberdade, Do povo e seu anseio por verdade. Neste Dez de Junho ergue-se o clarão Do verbo que é espada e coração; Portugal, nome vasto como o vento, Que vive no silêncio e no lamento. Vive também no riso das crianças, Na alma emigrada, cheia de esperanças, E em cada canto, onde um português Se lembra de quem é, de quanto fez. Assim te celebramos, ó Camões, Com vinho, sol, memória e orações, E à Pátria estendemos a nossa mão: Portugal é de todos — é canção.
No pensador.ai desde