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Frase de Carlos de Castro

AS MÃOS ⁠Elas pegam E despegam, Apertam E desapertam Emoções. Matam paixões, Fazem reviver Quem está a morrer De mortes ou sensações. Benzem E banzem Orações, Bruxarias, Arrenegam heresias, Aliviam comichões. De muito as glorificar, Acabei por me lembrar Que há tantos anos De desenganos, Não beijo as mãos De minha mãe. Pobre de quem a não tem. Valho-me dum retrato dela E mato a sede da saudade, Beijo-lhe as mãos de papel E até me parece que ela De verdade, Me afaga o rosto, Com tanto gosto, E aquela doçura do mel. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-10-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)