Pular para o conteúdo

Frase de Brunna Keila

Falar de silêncio é algo muito importante — e, ao mesmo tempo, difícil. Toda vez que eu paro pra falar de silêncio, eu vejo o abismo que eu sou. E toda vez que o vejo, percebo que vou me salvando através dele. Quantas vezes a gente questiona o outro sem ter empatia pelo que ele vive — e, às vezes, nem é uma escolha. Faltam três meses pro ano acabar, e eu já começo a sentir saudade. O silêncio me faz respirar. Ao mesmo tempo que ele me cansa, ele também me desafia. Às vezes, ele atravessa a gente — de um jeito que nem dá pra explicar. Engraçado como, a cada dia que passa, surge uma nova sensação sobre o meu trabalho. Hoje foi um dia triste, e tive a certeza de que o meu trabalho leva um pouco das minhas tristezas com ele. Ainda assim, eu agradeço muito. Vou sentir falta quando acabar. E toda vez que eu digo isso, penso: que clichê! Mas, na verdade, quando a gente se despede de um trabalho — de um ciclo, né? — a gente se despede de muita coisa dentro da gente também. Às vezes, me pergunto: o que as pessoas sentem quando leem meus textos? O que está chegando delas até mim? Será que elas sentem essa avalanche de emoções que a gente sente ao escrever? Ou será que não sentem nada? Será que a falta é minha? Ou será que elas só não querem entrar em contato com as coisas que doem? Mas aí, de repente, a gente recebe o gesto de alguém que poderia julgar quem sofre — e não julga. A pessoa encosta a mão em você e diz: “Posso te fazer um elogio? Muito obrigado. Eu me vejo em você.” E, na verdade, quem agradece sou eu. Porque é a escrita que me faz ficar viva. Enquanto eu tiver oportunidade, eu vou escrever o melhor que eu puder.

Brunna Keila

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Brunna Keila

"A Falta de Entendimento dos Irmãos Mais Velhos e Mais Novos” Entre irmãos existe um laço que parece inquebrável, feito de sangue, infância e lembranças. Mas, ao mesmo tempo, esse laço é atravessado por diferenças que tornam o convívio um território delicado. O mais velho sente…
Continuar lendo

"A Falta de Entendimento dos Irmãos Mais Velhos e Mais Novos” Entre irmãos existe um laço que parece inquebrável, feito de sangue, infância e lembranças. Mas, ao mesmo tempo, esse laço é atravessado por diferenças que tornam o convívio um território delicado. O mais velho sente o peso da responsabilidade, como se fosse chamado a ser exemplo, guia, quase uma extensão dos pais. Já o mais novo cresce à sombra desse exemplo, desejando liberdade, querendo ser visto por si mesmo, e não apenas comparado. Daí nasce a falta de entendimento. O irmão mais velho olha para o caçula e o vê como imaturo, irresponsável, sem a seriedade que a vida exige. O mais novo, por sua vez, enxerga no mais velho alguém duro, exigente, que parece ter esquecido o que é sonhar e brincar. Ambos se cobram, ambos se julgam — e pouco se escutam. Essa distância não é apenas de idade, mas de percepção do mundo. O filósofo diria que cada um vive em sua própria temporalidade: o mais velho já se preocupa com o futuro, enquanto o mais novo ainda se agarra ao presente. É como se olhassem a mesma estrada por ângulos diferentes. O problema é que, nessa falta de entendimento, se perde algo precioso: a possibilidade de aprender um com o outro. O mais velho poderia ensinar paciência e prudência; o mais novo, leveza e espontaneidade. Mas muitas vezes ambos preferem se proteger em suas certezas, em vez de abrir espaço para a escuta. No fundo, irmãos se amam, mas também se estranham. Talvez a verdade seja que esse estranhamento é inevitável — e, paradoxalmente, é nele que mora a chance de crescimento. Porque compreender o outro, quando ele é tão diferente, é também compreender melhor a si mesmo. Assim, a falta de entendimento entre irmãos é uma escola silenciosa: ensina que o amor não é feito de iguais, mas de diferenças que precisam ser acolhidas.

⁠Desculpa. Desculpa por não conseguir te fazer sorrir ingenuamente como você sorria. Desculpa por não conseguir ser a pessoa que você procurava. Desculpa por muitas vezes não conseguir lidar com todas as suas emoções em geral.
Continuar lendo

⁠Desculpa. Desculpa por não conseguir te fazer sorrir ingenuamente como você sorria. Desculpa por não conseguir ser a pessoa que você procurava. Desculpa por muitas vezes não conseguir lidar com todas as suas emoções em geral. E por último, perdão por não ter sido quem você queria que eu fosse. Perdão, porque eu não consegui ser o anjo, o parâmetro, o amigo que você e seu coração precisavam no momento. Nossa história não terminou bem, mas ainda sim é a melhor que eu conheci. Agora, eu vou ter que me lembrar de você por mais tempo doque eu te conheço. E por favor, não me diga que eu sou tão esquecível quanto o tempo e o silêncio tem me feito sentir. Só porque eu deixei você ir, não quer dizer que eu queria.

"Deus e a Escuta Silenciosa com os Adolescentes.” Na correria dos dias, entre relógios apressados e adultos sempre ocupados, os adolescentes crescem em meio a um silêncio que não é apenas ausência de palavras, mas ausência de atenção. O coração jovem, cheio de perguntas, sonhos…
Continuar lendo

"Deus e a Escuta Silenciosa com os Adolescentes.” Na correria dos dias, entre relógios apressados e adultos sempre ocupados, os adolescentes crescem em meio a um silêncio que não é apenas ausência de palavras, mas ausência de atenção. O coração jovem, cheio de perguntas, sonhos e inseguranças, encontra muitas vezes portas fechadas: pais cansados, professores sobrecarregados, e amigos que também lutam com seus próprios ruídos internos. Os adultos não têm tempo. Estão sempre correndo atrás do trabalho, das contas, das preocupações que o mundo exige. Os mais velhinhos, quando poderiam oferecer escuta, já carregam em seus corpos a doença, o cansaço e a fragilidade do tempo. Assim, o adolescente, com seu turbilhão de emoções, muitas vezes se vê sozinho. E é nesse espaço de solidão que um silêncio diferente se abre: o silêncio onde Deus se encontra. Quando ninguém mais escuta, só resta Deus. Ele se faz presente na oração tímida antes de dormir, no pensamento escondido no meio da aula, no choro abafado no travesseiro. Deus é a escuta silenciosa que não julga, não se apressa e não cansa. Ele acolhe a inquietude, o grito e até o silêncio dos jovens que não encontram eco em mais ninguém. É nesse colo invisível e eterno que os adolescentes descobrem que não estão sozinhos. Porque, mesmo quando os adultos não têm tempo e os velhinhos já não têm forças, Deus continua sendo o ouvido atento e o coração aberto. No fim das contas, quando as vozes do mundo se calam, só resta Deus — e é justamente aí que o adolescente aprende que o silêncio pode ser cheio de presença.