Frase de Brunna Keila
Falar de silêncio é algo muito importante — e, ao mesmo tempo, difícil. Toda vez que eu paro pra falar de silêncio, eu vejo o abismo que eu sou. E toda vez que o vejo, percebo que vou me salvando através dele. Quantas vezes a gente questiona o outro sem ter empatia pelo que ele vive — e, às vezes, nem é uma escolha. Faltam três meses pro ano acabar, e eu já começo a sentir saudade. O silêncio me faz respirar. Ao mesmo tempo que ele me cansa, ele também me desafia. Às vezes, ele atravessa a gente — de um jeito que nem dá pra explicar. Engraçado como, a cada dia que passa, surge uma nova sensação sobre o meu trabalho. Hoje foi um dia triste, e tive a certeza de que o meu trabalho leva um pouco das minhas tristezas com ele. Ainda assim, eu agradeço muito. Vou sentir falta quando acabar. E toda vez que eu digo isso, penso: que clichê! Mas, na verdade, quando a gente se despede de um trabalho — de um ciclo, né? — a gente se despede de muita coisa dentro da gente também. Às vezes, me pergunto: o que as pessoas sentem quando leem meus textos? O que está chegando delas até mim? Será que elas sentem essa avalanche de emoções que a gente sente ao escrever? Ou será que não sentem nada? Será que a falta é minha? Ou será que elas só não querem entrar em contato com as coisas que doem? Mas aí, de repente, a gente recebe o gesto de alguém que poderia julgar quem sofre — e não julga. A pessoa encosta a mão em você e diz: “Posso te fazer um elogio? Muito obrigado. Eu me vejo em você.” E, na verdade, quem agradece sou eu. Porque é a escrita que me faz ficar viva. Enquanto eu tiver oportunidade, eu vou escrever o melhor que eu puder.
No pensador.ai desde