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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

O MUNDO NÃO QUER MAIS DITADORES Junto com a queda do regime de Hosni Mubarak estabeleceu-se uma nova realidade no cenário político do Oriente Médio e de certa forma em todo mundo. A exemplo do que ocorreu no Egito, essa onda revolucionária passa pela Líbia e se estende de formas diferenciadas, afetando a mentalidade universal. No oriente médio, vários países já enfrentam essa revolução. Povos se rebelam, dizendo não ao regime de mão-de-ferro. Evidentemente, os resultados iniciais dessa revolução não são gratos. O desejo de liberdade cobra o preço nada módico de vidas, sacrifícios sociais e custos de vida no planeta. Começamos a sentir os efeitos pela alta do petróleo, que gera alta dos transportes, e esses, a dos alimentos, numa cadeia que distribui crises. É claro que a conta pesa sempre mais no bolso e na vida do cidadão comum, justo esse que já é secularmente a maior vítima dos desmandos de seus países. O que há de formidável nisso tudo é a certeza de que o mundo não que mais saber dos ditadores. Se ainda existem massas fiéis aos tiranos da atualidade, são aquelas massas fanáticas viciadas em sofrimento. Fatias cada vez menores de um todo que anseia um mundo melhor, na medida em que acordam para o fato de que o tal mundo melhor só é possível com liberdade. Não importa se os governos são paternalistas ou se existe prosperidade material, quando os países e povos têm donos. Quando tudo aquilo de que desfrutam não é seu, e sim, dos poderes constituídos. Governos ditadores são agiotas ideológicos. “Dão”, e na maioria das vezes de formas precárias, mas cobram, nos momentos cruciais, das maneiras mais duras e aviltantes, os “favores” sob os quais mantêm seus governados. Povos que vivem sob ditaduras podem ter quase tudo, dentro de seus conceitos de tudo, mas nunca têm autonomia; voz; direitos fundamentalmente humanos; de cidadania. Nunca têm paz. Nós, brasileiros sabemos o que é ditadura, porque já vivemos sob tal regime. E para ser bem realista, devo dizer que ainda vivemos sob o cheiro constante e as ameaças veladas e pontuais da ditadura por nosso orgulho e coragem. Conquistamos a democracia torta e sonsa que hoje nos rege, mas foi uma conquista. Podemos avançar muito. O que não podemos é voltar no tempo, aceitando por exemplo, qualquer tipo de censura sobre os meios de comunicação, especialmente os informativos. Para os casos específicos de abuso, existem leis também específicas. Com todas as mazelas, sofrimentos e sacrifícios advindos deste sonho, brindemos ao possível mundo inteiramente livre! Ainda vai demorar, sabemos disso, mas os povos estão cada vez mais briosos, informados e seguros do que desejam. E todos desejam a liberdade... Antes mesmo da prosperidade.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.