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Frase de Carlos de Castro

⁠PERDIÇÃO Meu pai de sangue: Como se chapa a massa na parede A de cimento, barro e areias Como tu fazes com tanta arte? E meu pai de sangue, respondia sempre: Oh, tira isso das tuas ideias... Já me está na massa do sangue e do ser À parte, À custa de tantas tareias para aprender. E eu insistia com meu pai de sangue: Qual o teu segredo Daqueles tetos de gesso Tão belos e singelos Feitos por tuas mãos ressequidas? E meu pai de sangue, já irado, respondia sempre: Oh, isso foi sinal de aprender noutras vidas, Umas a medo e outras por ser travesso Revesso Como tu, retrato do meu segredo... Nunca mais entrei em bravatas Chatas De perguntar a meu pai Que já lá vai O porquê de ser artista daquele dom então, Porque sei que me diria: Nasceste para ser trolha, um dia Como eu, sem mais tretas. Porém, escolheste as letras Malditas dos poetas Que te levam à perdição! (Carlos De Castro, in Minas da Minhoteira, 01-07-2022)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)