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Frase de Adélia Prado

⁠Páscoa Velhice é um modo de sentir frio que me assalta e uma certa acidez. O modo de um cachorro enrodilhar-se quando a casa se apaga e as pessoas se deitam. Divido o dia em três partes: a primeira pra olhar retratos, a segunda pra olhar espelhos, a última e maior delas, pra chorar. Eu, que fui loura e lírica, não estou pictural. Peço a Deus, em socorro da minha fraqueza, abrevie esses dias e me conceda um rosto de velha mãe cansada, de avó boa, não me importo. Aspiro mesmo com impaciência e dor. Porque sempre há quem diga no meio da minha alegria: ‘põe o agasalho’ ‘tens coragem?’ ‘por que não vais de óculos?’ Mesmo rosa sequíssima e seu perfume de pó, quero o que desse modo é doce, o que de mim diga: assim é. Pra eu parar de temer e posar pra um retrato, ganhar uma poesia em pergaminho.

Adélia Prado

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Fonte: Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015. | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.

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O que precisa nascer tem sua raiz em chão de casa velha. À sua necessidade o piso cede, estalam rachaduras nas paredes, os caixões de janela se desprendem. O que precisa nascer aparece no sonho buscando frinchas no teto, réstias de luz e ar. Sei muito bem do que este sonho fala e a quem pode me dar peço coragem.