Frase de Isabel Morais Ribeiro Fonseca
LÁ LONGE Lá longe, longe perdido nas águas profundas Do rio que corre, que passa entre as fragas De seixos escorregadios onde sofro sozinho No respirar de um simples suspiro de dores Sede partilhada da tua boca sobre ondas No desaguar da foz, andam as andorinhas Nevoeiro de murmuro de uma oração ausente Feita de argila estéril, seca de morno sangue Noites tristes de cinzas vermelhas no regresso De um beijo sobre as asas que se jogam as folhas Carrego na minha alma os teus passos silenciosos Vestes negras de adagas afiadas na carne do corpo Lá longe no rio de águas profundas entre os seixos Onde tudo se transforma em limos de vida ou morte Regaço dos abraços na partilha da tua boca da minha Espelho absurdo de um santo remédio feito em oração Liberdade onde inverno no santuário do teu doce corpo Na tua procura dos meus seios do amor transformado Onde as águas correm sem destino até ao nosso silêncio Gemidos que navegam sem rumo, perfume das rosas no rio.
No pensador.ai desde