Frase de Moacir LuÌs Araldi
Dobradiças A porta está fechada há muito tempo. As dobradiças rangem, longamente. Chove não tão forte, mas os pés parecem afogados. Um ventinho anuncia pausa. Pingo isolado faz a poça tremer. Lá dentro está seco. O tempo deve ter agido, mas criou mau cheiro no ambiente. Marcas de total ausência. O que foi sonho, foi-se. Foice. As marcas estão em tudo. Era lindo! Findou-se e a criação não encanta, não é mais arte. Voltar ao trem é inevitável: - balança, balança, balança e segue seu caminho, seu fluxo. As estações se sucedem. Sigamos. A vida assim pede. Ainda chove, não há enganos. Tudo está vivo, só não se expressa. Tempo impiedoso, indigesto, implacável. Nada desfaz, apenas afasta, lacra e esconde a chave. O olhar em pântanos não brilha cintilante. Nada voltará a ser como antes. Cegará em instantes.
No pensador.ai desde