Frase de Rui Knopfli
PROGRESSO Estamos nus como os gregos na Acrópole e o sol que nos mira também os fitou. Mas fazemos amor de relógio no pulso.
No pensador.ai desde
PROGRESSO Estamos nus como os gregos na Acrópole e o sol que nos mira também os fitou. Mas fazemos amor de relógio no pulso.
No pensador.ai desde
Dei-me inteiro. Os outros fazem o mundo (ou crêem que fazem) . Eu sento-me
Dei-me inteiro. Os outros fazem o mundo (ou crêem que fazem) . Eu sento-me na cancela, sem nada de meu e tenho um sorriso triste e uma gota de ternura branda no olhar. Dei-me inteiro. Sobram-me coração, vísceras e um corpo. Com isso vou vivendo.
GINÁSTICA APLICADA Meu verso cínico é minha terapêutica e minha ginástica. Nele me penduro
GINÁSTICA APLICADA Meu verso cínico é minha terapêutica e minha ginástica. Nele me penduro e ergo, em sua precisão de barra fixa. Nele me exercito em pino flexível, sílaba a sílaba, movimento controlado de pulso, e me volteio aparatoso na pirueta lograda, no lance bem ritmado. Há um sorriso discreto em minha segurança. Porém, se às vezes me estatelo, folha seca (o verso é difícil e escorregadio), meu verso, como de vós, ri-se de mim em ar de troça.
O LADRÃO DE VERSOS Uma gargalhada do meu filho rouba-me um verso. Era,
O LADRÃO DE VERSOS Uma gargalhada do meu filho rouba-me um verso. Era, se não erro, um verso largo, enxuto e musical. Era bom e certeiro, acreditem, esse verso arisco e difícil, que se soltara dentro de mim. Mas meu filho riu e o verso despenhou-se no cristal ingénuo e fresco desse riso. Meu Deus, troco todos os meus versos mais perfeitos pelo riso antigo e verdadeiro de meu filho.
TERRA DE MANUEL BANDEIRA Também eu quisera ir-me embora pra Pasárgada,
TERRA DE MANUEL BANDEIRA Também eu quisera ir-me embora pra Pasárgada, também eu quisera libertar-me e viver essa vida gostosa que se vive lá em Pasárgada (E como seria bom, Manuel Bandeira, fugir duma vez pra Pasárgada!). Entanto, tudo me prende aqui a este lugar desta cidade provinciana. Como deixar ao abandono o olhar luminoso dessa mulher que eu amo? Quem responderá às inquietas perguntas de minha filha pequena (cabelo curto, olhos de sonho)? Quem, no sereno da noite, para as beijar com ternura e nos braços acalentar? E esta vida, este sítio, e estes homens e estes objectos? E as coisas que amei e as que esqueci? E os meus mortos e as doces recordações, as conversas de café e os passeios no entardecer fusco da cidade? E o cinema todos os sábados, segurando com força a mão de minha mulher? Eles nem são amigos do rei e a entrada lá é limitada. Por isso é que eu não fujo duma vez, pra Pasárgada.