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Frase de Nina Abrahão

Voltei, dona. Voltei, eterna senhora. Perdoe a longínqua espera Perdoe a longínqua demora Jamais deveria ter partido dos seus braços Sois a unica musa que se prestaria a me amar Mas mentiria acaso dissesse à ti Que foi por querer o meu voltar Desci de meu castelo, de sua eterna companhia Recorri à realeza de uma nobre bailarina Pobre de mim por acreditar Pobre poeta, iludir-se a sonhar Sois a unica que se deita em meu leito E não me incomoda olhar teu olhar ao despertar Sois a unica que me conforta Sois vós quem irá me matar Solidão, perdão. Volto à ti Eterna companhia da minha valsa Que outrém jamais saberá dançar.

Nina Abrahão

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Pensador.com

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Os vinte anos remetem ao fim da mocidade Inicia-se um ciclo escorregadio, o prêmio marcado pela idade Tem marcas mais profundas, o deleite de uma esperança
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Os vinte anos remetem ao fim da mocidade Inicia-se um ciclo escorregadio, o prêmio marcado pela idade Tem marcas mais profundas, o deleite de uma esperança Calada tão cedo por uma política de amargas alianças Meu país não é meu lar Não me restam forças, inda na mocidade, para lutar Essa profundeza de abismo coberta por purpurina Não engana minha mocidade, trágica euforia Ser não mais nova Ser inda não velha Resistir para que os versos em mim resistam Insistir para que as saudades em mim não consistam Com o eterno esperar Olhos de alma inquieta Tão só, naufragada Refugiei-me em ilusões incertas Sonhei como marinheiro, a espera da alvorada Vinte anos, o nada Bilhões de anos, astrais De que me valeria a estadia Se a alma não regozija? Se a alma não tem paz? E de que valeria a paz Se só se mostra ela presente Ao término do ciclo Da vida intermitente? Se tantos sonhos ainda sonho Se tantos versos não sou mais capaz de compor Por onde anda o sonho de marinheiro Que um dia em meu peito desabrochou? Se puder, eu, enfim, ser borboleta Sem rumo, vagar entre flores do equinócio primaveril... Por que não veneramos também as mariposas De vidas noturnas, outonais de abril? Se tantos sonhos já desisti de sonhar Por que ainda é latente no peito O esboço do desejo Da eterna desventura? Eu quero me calar Eu quero gritar aos mares Para a moça bonita que passa Que traga a vida na morte A resposta inconstante De como se navega para o norte Fatigada dos sonhos Do deixar de sonhar Alçar os céus no prumo da borboleta Nos ventres da mariposa, repousar.

Crime de Poeta Poeta não ama Poeta tece amores
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Crime de Poeta Poeta não ama Poeta tece amores Inventa dores As fazem inspirações Se apaixonam por suas criações Mas vivem sós Perdidos no ego De que ninguém pode amar tão forte Tão verdadeiramente E tão falsamente Poeta tem o dom de se contradizer Nos pensamentos Nos sentimentos Nos momentos E ninguém deve condena-los errados Crime de poeta Inda não o fez Já nasce culpado

Nasci mulher no mundo cão. Culpada, sangra, suja, perdição de Adão. O primeiro pecado é atribuído às minhas mãos.
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Nasci mulher no mundo cão. Culpada, sangra, suja, perdição de Adão. O primeiro pecado é atribuído às minhas mãos. É triste ter de pedir para não confundirem sexualidade com caráter. É triste ter de pedir para não mais repetir que sou meio, metade. Aliás, ai está! Nunca fui de meios, sou de pólos. E sou completa. Se amo, amo o ser, o que nele habita, A minha sexualidade eu sei que é a mais bonita E que mania que vocês possuem em reduzi-lá Por pura insegurança, erro na própria alquimia. Incompleto é tu. Eu possuo maestria. Minha bandeira é colorida, meus versos alegria. E com orgulho visto tua acusação: Bruxaria. Embora agora, a culpa seja tripla Não bastou nascer mulher, cuspida Nasceu doente, doente sim, na categoria Afinal, sã é a sociedade fingida. NÃO SOFRO DE DOENÇA. E o pedido que deixo por outro alguém já foi feito: "Que a minha loucura seja perdoada Pois metade de mim é amor E a outra metade também." PAZ