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Frase de Éric Elie'l

Não preciso de você, mas preciso – Estamos separados. Foi a primeira coisa que ela me disse às cinco da manhã quando me ligou chorando. Se o problema era um coração partido, saberia com o tempo construir um mosaico. – Quando você amar, não precise dele. Foi o que ela me disse ainda frustrada com o fim. – Ame-o, mas sob nenhuma hipótese precise dele. Ela completou. Os conselhos que ela me deu em um momento de dor me fizeram ver que o amor não pode ser essa coisa egoísta que a gente vive fazendo questão de inventar apenas para nutrir uma necessidade; eu te amo porque desprezo a solidão, te amo pois você é o motivo dos meus sorrisos, te amo porque você cuida de mim. Quer coisa mais egoísta? Amar deveria ser um acontecimento natural que nos torna melhores, pois passamos a acontecer mais intensos a partir do outro; você cuida de mim e isso é bom, mas eu te amo por tudo o que somos quando estamos juntos. Você me faz rir e isso me entorpece, mas eu te amo por todos os sorrisos que você permite que eu arranque de você. Você me resgatou de uma solidão desastrosa, mas eu te amo porque você escolheu ficar mesmo tendo infinitas possibilidades de ir. Afinal, eu não preciso de você, mas preciso. Preciso de você falando da beleza das minhas pernas enquanto me enxugo. Não por vaidade, mas pela certeza de que você escolheu parar com os seus olhos em mim enquanto todos os outros me olharam depressa demais. Eu não preciso de você, mas preciso. Preciso de você fechando a cara para todos os meus argumentos desaforados. Não por petulância, mas por liberdade de saber que você me reconhece e me aceita até nos dias de azedume bravo. Eu não preciso de você, mas preciso. Preciso de você sorrindo quando eu chego. Não por me sentir centro da sua felicidade, mas por entender que a minha presença também pode ser um bálsamo. Eu não preciso de você, mas preciso. Preciso de você contando os seus segredos. Não por me sentir seu confidente, mas por desfrutar do conforto que é reconhecer-me um porto. Eu não preciso de você, mas preciso. Preciso de você mentindo sobre a minha nocauteante beleza. Não para alimentar meu ego, mas por avaliar a graça que é saber-se bonito aos detalhes, mesmo por trás de um sorriso torto. Eu não preciso de você, mas preciso. Preciso de você me dizendo o quanto também aprendeu comigo. Não por alimentar algum ar de superioridade que eu possa vir a ter, mas por saber que eu também posso te fazer bem, mesmo que esse bem seja infinitamente menor do que o bem que você me faz. – Quando você amar alguém, não precise dele. Foi o que ela me disse ainda frustrada com o fim. – Tarde demais, eu já preciso. Foi o que eu disse a ela antes do café manhã, depois daquela separação.

Éric Elie'l

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Éric Elie'l

O inacabado de cada um Comecei uma crônica dessas há alguns minutos, mas não cheguei ao fim, foram algumas linhas de frustrações e experiências que não encheram uma mísera folha, e assim tive a ideia de criar a pasta dos inacabados e foi para lá que eu mandei alguns textos que n…
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O inacabado de cada um Comecei uma crônica dessas há alguns minutos, mas não cheguei ao fim, foram algumas linhas de frustrações e experiências que não encheram uma mísera folha, e assim tive a ideia de criar a pasta dos inacabados e foi para lá que eu mandei alguns textos que não terminei, mas que merecem um segundo olhar, para lá também seguiu uma poesia sem a primeira estrofe, quem me dera se a vida tivesse uma pasta para os inacabados. Nela eu colocaria quase amores que sumiram sem ponto final nem reticências, deixaria as discussões que não resultaram em conclusões, depositaria um pouco das expectativas que seguem sem desfecho, colocaria na minha pasta de experiências inacabadas todos aqueles “até logo” que falamos sem marcarmos algo em definitivo, ou ainda as conversas viscerais que abrimos mão porque corríamos o risco de parecermos chatos demais no meio da roda de amigos. Na minha pasta de inacabados teria tudo, absolutamente tudo o que merece um segundo olhar, como aquelas opiniões sisudas demais, toda e qualquer certeza que julgamos ter deveria estar numa pasta de inacabados, porque se pararmos para pensar a própria vida estaria lá dentro, quer coisa mais transitória, incompleta, cheia de incertezas e inacabada? Acho que lá teria espaço suficiente para pessoas que julgamos cedo demais e que merecem um segundo olhar, ou ainda amores que por terem sido subestimados já que não cumpriam com as nossas idealizações foram vítimas do nosso olhar apressado deixando tudo o que poderia ter sido apenas inacabado. Que lindo seria se aprendêssemos a reconhecer, se parássemos de colocar as pessoas na forma das nossas idealizações, porque assim a gente viveria mais experiências completas e menos inacabadas por medo do que vão pensar ou do que vão dizer. Se tivéssemos coragem de armazenar coisas relevantes na pasta de inacabados pediríamos mais desculpas e julgaríamos menos, atribuiríamos, ainda que em longo prazo, um desfecho para tudo o que poderia ter sido, mas não foi. É por conta disso que aprendi a desconfiar das pessoas certas demais, não das seguras, mas das muito certas sobre tudo, pois se pararmos para pensar certeza mesmo não há nenhuma. Então tudo bem que eu não termine minha crônica, que a poesia fique sem a primeira estrofe e sem sentido, a vida também é assim a gente é que fica buscando sentido em tudo e tendemos a atribuir a ela os sentidos que melhor nos cabem, até mesmo como autoproteção. No final a própria existência é a nossa pasta de inacabados e dá para voltar atrás, se arrepender, mudar de ideia, resgatar relações e romper com idealizações, porque não há caminho certo, nem portinha da felicidade, muito menos o mapa da mina e se não há mapas pouco importa o caminho, o que importa é manter-se em movimento e perdoar tudo o que ficou por acabar.

Você precisa saber que tudo bem se teus anseios e crenças forem diferentes dos da maioria, a gente é convencido desde muito cedo que só há uma forma de felicidade, a mesma para todos, mas o fato é que não há forma, tua existência é nova e livre então tudo bem pintar fora das marg…
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Você precisa saber que tudo bem se teus anseios e crenças forem diferentes dos da maioria, a gente é convencido desde muito cedo que só há uma forma de felicidade, a mesma para todos, mas o fato é que não há forma, tua existência é nova e livre então tudo bem pintar fora das margens. Você pode, por exemplo, casar-se e separar-se, pode ficar solteiro a vida toda, ter filhos ou não querer nem pensar nisso, pode querer viajar o mundo ou comprar um apartamento e fincar bandeira em um único lugar, pode optar por um estilo de vida diferente dos seus amigos. Não se importe, crie as próprias regras e seja sua própria pessoa.

Sobre amar Amar deveria ser um acontecimento natural que nos torna melhores, pois passamos a acontecer mais intensos a partir do outro; você cuida de mim e isso é bom, mas eu te amo por tudo o que somos quando estamos juntos. Você me faz rir e isso me entorpece, mas eu te amo po…
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Sobre amar Amar deveria ser um acontecimento natural que nos torna melhores, pois passamos a acontecer mais intensos a partir do outro; você cuida de mim e isso é bom, mas eu te amo por tudo o que somos quando estamos juntos. Você me faz rir e isso me entorpece, mas eu te amo por todos os sorrisos que você permite que eu arranque de você. Você me resgatou de uma solidão desastrosa, mas eu te amo porque você escolheu ficar mesmo tendo infinitas possibilidades de ir.

Eu entendo a plenitude, considero inclusive a linearidade das sensações de uma beleza irreparável, algo que de fato não se deve contestar, mas em mim isso segue oscilante demais. Momentos de uma felicidade inegável, de uma luminosidade tocante, como a observação de gente amada re…
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Eu entendo a plenitude, considero inclusive a linearidade das sensações de uma beleza irreparável, algo que de fato não se deve contestar, mas em mim isso segue oscilante demais. Momentos de uma felicidade inegável, de uma luminosidade tocante, como a observação de gente amada reunida, por exemplo, em contrapartida fases de incessante falta de sensações, sem cor, com a palidez desaforada de um triste azulejo branco encrustado na parede de um corredor de hospital. Não entendo a felicidade constante, não entendo essa ode ao ser feliz o tempo inteiro, quase que como obrigação. Sou cercado de esquinas onde a vida se torna intolerável e isso não se deve ao fato de um olhar pessimista, eu sei olhar ao meu redor e contar todas as minhas bênçãos. Acredito que essa rejeição expectante, que essa intolerância viva venha justamente de tudo o que nos envolve e que pérfido dolorido ou nulo. Sentir-se infeliz, entristecer-se, passar por uma fase em que a vida se torna intolerável também faz parte da completude que é existir, é no contraste que aprendemos a reconhecer nossas graças, é na intolerância pelo que é atual, por todo o cenário desastroso em que vivemos que aprendemos a reconhecer o que abre a nossa ferida interna. Quando a vida fica intolerável é justamente quando ela se aprofunda, quando ela invoca a reflexão, quando toca a consciência, quando aflora nossas questões internas. Quando a vida fica intolerável é justamente quando aprendemos sobre nós mesmos, quando administramos a própria solidão, quando identificamos relações debilitantes. Felicidade é a superfície, é quando o mar perde a profundidade e termina em uma coisa bonita e mansa que chamamos de praia, felicidade é rasa, é a bolha do conforto que criamos a nossa volta, é o que não nos permite ver além da própria felicidade. Felicidade é bonita, é necessária, mas não abre brechas para grandes reflexões. Por outro lado, o intolerável da vida é quando o mar se aprofunda, é onde o sol não bate, é quando poucos nos suportam, é na negação das profundezas que fazemos bobas entregas superficiais, é na negação do intolerável e do difícil da vida que surgem as relações por conveniência a aceitação da comodidade em detrimento do que se é, os relacionamentos por medo de estar só. É na negação do intolerável da vida que a gente cria artifícios de felicidade momentânea, que alguns se entregam a vícios e às relações descartáveis. Em contraponto a essa negação eu aprendi a reconhecer que tudo bem se eu for um pouco triste, que faz parte eu zelar pela vida quando esta se torna intolerável, que aplacar dores particulares faz parte da beleza e da completude que é estar aqui, que repensar sobre o meu caminho é o que me leva além e que a contrapartida é uma felicidade consciente, que vem e que sempre virá quando eu souber conhecê-la, ao invés de ficar perseguindo-a com tudo que for superficial demais.