Frase de Reinaldo Hilario
Sobre o Peso Invisível Que Habita os Ombros Mesmo Quando o Mundo Sorri Há um lugar dentro de mim onde os passos não se repetem, mas continuam a ecoar, como se cada som fosse a lembrança de algo que nunca aconteceu. A solidão não chegou como tempestade, nem como rajada de vento foi se infiltrando nas frestas mais estreitas da minha rotina, ocupando o ar sem pedir licença, até que respirar e tê-la perto se tornaram a mesma coisa. No princípio, imaginei que fosse ausência, um buraco a ser tapado com conversas, música, ou o simples ruído de outros corpos passando. Mas havia nela uma densidade particular, uma matéria invisível que parecia moldar o contorno de tudo o que me cercava. Aprendi que a solidão não é o silêncio ao redor, mas o peso dentro, uma pedra colocada onde antes morava o impulso de chamar alguém pelo nome. Ela é paciente, ensina que o mundo se move sem precisar de testemunhas, que a respiração pode ser a única prova de que ainda se existe. Falar comigo mesmo deixou de ser confissão e se tornou um rito um pacto que mantém o frágil edifício da mente de pé no meio da madrugada. Alguns dias ela me prende, como corda atada à cintura, puxando para um fundo que não se vê. Outros, se espalha como luz pálida sobre campos vazios, onde cada passo que já dei parece ter sido apagado pelo vento. E sem despedidas, permanece: invisível, inseparável, uma presença imóvel que me habita com a mesma intensidade com que o sangue habita as veias.
No pensador.ai desde