Frase de J Rabello de Carvalho (Mexicano)
O Limiar Sinto tua falta como quem sente culpa, não apenas dor. Há um frio que não vem da ausência, mas do que eu seria se cruzasse a linha que me separa de ti. Compreendi — tarde demais ou cedo demais — que entre o querer e o tocar existe um espaço que não me pertence. O que me atrai não é a vida contigo, é o risco, a queda, a vertigem de um amor que cobra tudo. Nada posso fazer. Não por fraqueza, mas porque há desejos que, ao serem atendidos, destroem o que tocam. Sou criatura do limiar: preciso de permissão para entrar, não na tua casa, mas na região mais vulnerável da tua alma. E sei que isso não seria amor. Seria fome disfarçada de ternura. Não me salvaria, não te despertaria — apenas nos perderia. Eis o dilema humano: amar e, ainda assim, escolher não tomar. Ser condenado a observar, não por falta de coragem, mas por excesso de consciência. Amaldiçoado não por amar demais, mas por entender o preço do amor.
J Rabello de Carvalho (Mexicano)
No pensador.ai desde