Pular para o conteúdo

Frase de MichaelBruthor

DIÁLOGOS COM A SOMBRA Eu te ignorei por anos, trancada no sótão da mente Doeu menos fingir que eras obra da poeira e do tempo Mas nas noites de insônia, quando o mundo desmaia Sinto teu peso no colchão, um afundamento calmo, lento És o hóspede não convidado que paga aluguel em silêncio A parte da história que nunca me contaram completa A raiz que cresce na direção oposta da flor A única verdade que minha alegria aceita discreta E hoje, cansei da guerra. Baixei as armas da razão. Abri a porta do sótão e disse, sem triunfo, apenas: "Entra. Já que insistes em habitar esta casa, ao menos vem da penumbra. Vamos ter uma conversa, afinal somos inquilinos do mesmo osso, da mesma carne, dividimos o mesmo teto quando a tempestade desaba." Refrão: E assim começou o diálogo com a sombra: "O que queres de mim, além do medo que já te dei?" E ela, feita de vozes antigas e pó de espelho: "Nada que já não seja teu. Apenas devolver o que esqueceu de ser. Sou a cidade submersa sob teu mar de tranquilidade. O nome que riscaste da tua própria biografia. Não vim para te destruir, apenas lembrar-te que a luz que tanto cultuas nasceu da minha geografia." Confessei meus segredos mais claros, os de pleno sol Ela riu um riso de terra: "Ingênua. Esses não interessam. Fala-me da inveja que vestiste de ambição. Do ódio que baptizaste de 'justiça'. Da crueldade que chamas de 'franqueza'. Dos desejos que afogas no álcool da resignação. Desses sim, somos parentes." E eu, sentada no chão com meu duplo noturno, vi minha história reescrever-se com tintas diferentes. Ela mostrou-me as feridas que eu causara e chamara de 'conquista' Os amores que asfixiei em nome do 'amor próprio' A criança que abandonei no caminho da 'maturidade' E eu chorei. Não de arrependimento, mas de reconhecimento. Era como ler um livro escrito em língua estrangeira e descobrir, página após página, que era a própria história. A sombra não era monstro. Era o arquivo, o repositório de tudo o que joguei fora para brilhar na memória E assim seguiu o diálogo com a sombra: "O que faço contigo agora, se já não te posso temer?" E ela, feita de silêncios e verdades truncadas: "Integra-me. Não como inimiga, mas como contraponto. Sou o contorno que dá forma à tua luz. A nota grave na tua melodia. Sem mim, és apenas claridade sem definição, uma bondade plana, sem história, sem profundidade, sem dia." Bridge (Musical: cresce para um clímax orquestral, depois cai em absoluto silêncio por 2 segundos) E no ápice do confronto, veio a quietude. A rendição. A sombra não se dissolveu em luz. A luz não venceu a sombra. Elas apenas... se reconheceram. Dois rios correndo no mesmo leito. Dois vocais na mesma canção. E eu, que era a guerra, tornei-me o campo de batalha pacificado. E depois, o próprio tratado de paz. Outro (Sussurrado, sobre um piano solitário que retorna): E agora carrego-te comigo. Já não és um fardo às costas. És a mochila com as provisões para a noite. Aprendi a linguagem das tuas pausas, e tu aprendeste a melodia dos meus desejos aceites. Já não sou 'eu contra ti'. Somos... um nós. Uma alma com suas nuances. E quando a luz do dia me define, és tu, na penumbra, quem me dá dimensão. Obrigada, estranha. Minha mais íntima estrangeira. Minha sombra. Minha... dona de casa

MichaelBruthor

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de MichaelBruthor

⁠"Meus pés pisam o inferno, mas meus olhos brilham céu!
⁠🎶 "Lágrima da Aurora Eterna" (“No limiar do tempo, uma lágrima caiu… e tornou-se canção.”) Nas brumas do primeiro suspiro, nasci,
Continuar lendo

⁠🎶 "Lágrima da Aurora Eterna" (“No limiar do tempo, uma lágrima caiu… e tornou-se canção.”) Nas brumas do primeiro suspiro, nasci, Com asas de vento e olhos de marfim. A vida me deu um nome esquecido, E o tempo, um cálice de mel e fel. Toquei o céu com dedos de infância, Vi deuses dormindo nas sombras da dança. O amor, como lâmina envolta em flor, Cortou-me o peito com perfume e dor. Segui o canto de um cisne ferido, Por bosques de névoa e espelhos partidos. Cada passo era um verso silente, E o chão, um livro de folhas ausentes. Encontrei-te à margem do fim do mundo, Com olhos que choravam o tempo imundo. Tocaste minha alma com dedos de luz, E a morte, por um instante, se fez cruz. Oh, chama vestida de carne e lamento, Foste jardim e tormento ao mesmo tempo. Nos teus braços, o abismo se calou, E até os anjos desceram sem véu. Mas o destino, cego artesão, Tecia com espinhos a nossa canção. A eternidade, com voz de salmos, Nos separou em tronos de pranto e palmos. A morte dançou entre véus dourados, E levou-te em silêncio, entre os finados. Rasguei meu peito em nome da verdade, E vi tua face na eternidade. Agora caminho por reinos de sonho, Semeando estrelas no solo medonho. Cada nota que vibra em minha lira, É lágrima tua que ainda respira. O universo é um espelho partido, Mas tua lembrança é cristal infinito. Queimarei mil vidas pra te reencontrar, Na alvorada onde o tempo vai se calar. (Coro angelical e tambor ritual lento) Lágrima da aurora, volta ao teu lugar, Entre véus do nada, vamos despertar. Pois até a morte, se ouvir nosso amor, Cairá de joelhos diante do cantor.

⁠"O Canto das Estrelas Mortas" Nas veias do tempo, correm sombras e luz, O amor é um rio que secou sobre a cruz.
Continuar lendo

⁠"O Canto das Estrelas Mortas" Nas veias do tempo, correm sombras e luz, O amor é um rio que secou sobre a cruz. Os deuses dormem em tronos de pó, E eu canto por ti, meu último véu. Teu nome é um eco nos salões do além, Esculpido em mármore pelo vento também. A morte dança com véu de cristal, E beija tua boca no fim do carnal. Ohhh, levanta-te, alma, do leito de espinhos! O universo é um verso sem fim nos teus vinhooos! Queimamos no fogo das estrelas mortaaas, Somos pó de diamante nas mãos da madrugadaaa! No espelho da lua, teus olhos são marés, Afogam meus ossos em sal e fé. O amor? Uma espada que corta a ilusão, A eternidade... um suspiro no vale da escuridão. Eu te procurei nas cidades de prata, Nos livros dos mortos, na boca da fada. Mas eras o abismo que eu já carregava, O verso final da canção não cantada! Ohhh, levanta-te, alma, do leito de espinhos! O universo é um verso sem fim nos teus vinhooos! Queimamos no fogo das estrelas mortaaas, Somos pó de diamante nas mãos da madrugadaaa! E quando o último sol se apagar, Nossas vozes serão o vento a cantar... Uma canção sem nome, sem medo, sem fim, Porque o amor é a morte, e a morte é assim.

O Paradoxo Sagrado Aquele que nunca se afogou em seu próprio abismo, Nunca ouviu o sussurro de sua própria alma.
Continuar lendo

O Paradoxo Sagrado Aquele que nunca se afogou em seu próprio abismo, Nunca ouviu o sussurro de sua própria alma. Quem nunca deixou o caos assumir o leme, Nunca viu as estrelas reassumirem seu papel. O caminho que chamamos de "erro", o plano "fracassado", Só ele pode romper a fortaleza do real. O mapa perfeito, a linha mais reta, impecável — Leva apenas aonde corações entorpecidos já não sentem. Agora... no mais profundo silêncio, ouça-o cantar, A noite mais negra agora mostra o que o dia não pôs. Em plena rendição, tornei-me rei, Minhas partes quebradas — onde toda força foi forjada. Persegui a Luz com um fogo tão cegante, Que perdi a própria verdade que esperava encontrar. Lutei contra a Sombra com um desejo cativo — Minhas próprias correntes apertando-se em minha mente. Até que... a guerra em mim simplesmente se desfez. Deixei cair a espada. Deixei a tempestade começar. Dei à escuridão meu sim final para proferir... E lá, dentro daquele sagrado, estelar vórtice sem luz... ...eu vi. Bendita, a ruptura que me fez completo! Bendito, o vazio que preencheu minha alma! Sagrada, a dúvida que pariu um saber mais profundo! A Pergunta que superou seu próprio crescimento! Não busques a resposta — sê-a, através da queda. O paradoxo não é um muro... ...é a dança que nos liberta da necessidade de vencer. É no perdido, que verdadeiramente... começamos.