Frase de Jefferson Cavalcante
Doces palavras em boca de fel Viperino perfume na boca do céu Veneno diluído em falsas bondades Desejo reprimido em tortas verdades Lancei ao vento a flecha flamejante Mirei ao léu um tolo viajante Mas, em brancos sentimentos devolveu: Toma de volta o presente que me deu Tão perfeito o estranho parecia Pedra lapidada noite e dia Modos arquitetados e respostas ensaiadas Sorrisos fingidos e retóricas mascaradas O perfeito errante de altos valores Era meu revés, o maior dos meus temores Conseguia revelar meus parcos talentos Caçoava de meus tormentos Resolvi eliminar o problema Armei um pérfido esquema De anular a vida que havia No ser que a vida me repudia Esperei na estrada o momento perfeito Enclausurei-me e esperei o efeito Porém, efeito não chegava Por onde o viajante andava? Passaram-se tempos aos montes A vida me escorria como uma fonte Mas, a inveja ali me segurava Matá-lo era ao que me dedicava Mas, o infeliz nem por ali passou Quando olhava era dia Em outra olhada o dia acabou Da macieira eu comia Pro corpo que ainda restou O desejo de vingança me atormentava Persistia enquanto o corpo não enterrava Resolvi descer da árvore e vi tudo diferente As casas, a vida, a cara daquela gente Na certeza de não mais ver o viajante Quase morro com uma visão errante Ali na minha frente o infeliz jazia O que aquele corpo de pedra ali fazia? Perguntei a um moço ali perto “Ele é a fonte do nosso deserto” Na cidade tudo em torno dele girava O motivo pelo qual na estrada não passava Aquele covarde me deixou esperando A hora do encontro eu sempre marcando E enquanto na árvore eu esperava Mais o infeliz prosperava E quanto mais sucesso ele fazia Mais minha vida se esvaía Por que eliminá-lo tentei E melhorar não procurei? Nada agora faz sentido O futuro está distorcido A minha vingança me cegou No poço que minha inveja me afundou Eu sequei, a árvore secou O homem não passou E eu ali fiquei... O tempo também passou E eu não aproveitei “Foi-se gastando a esperança, Fui entendendo os enganos Do mal ficaram meus danos E do bem só a lembrança”
No pensador.ai desde