Frase de Jorgeane borges
Beija-me Beija-me como quem chega em casa depois de muito tempo. Como quem reconhece o sabor da alma no toque da boca. Sem pressa. Sem ensaio. Mas com aquela vontade que carrega o tempo todo. Beija-me com os olhos também. Com os dedos. Com o pensamento. Beija as minhas dúvidas até que elas se rendam, e os meus silêncios até que virem som. Beija-me pra além da pele. Entre as palavras não ditas, nas pausas da respiração, no espaço entre um suspiro e outro. Quero um beijo que acolha, mas acenda. Que abrace, mas incendeie. Que não peça licença, mas saiba o momento exato de invadir. Beija-me como quem sabe que estou faminta, mas que minha fome é de algo que só se encontra quando a alma também se abre. Beija-me como se cada toque fosse um recomeço, e cada fim, apenas uma promessa de mais. E se for pra ser beijo, que seja inteiro. Que me cale. Que me entregue. Que me eleve. Beija-me como quem entende que a boca é só a porta — e o desejo, é tudo o que vem depois.
No pensador.ai desde