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Frase de Marcus Deminco

Sou o espelho da complexidade na sua forma mais simples; Sou a intensidade com mil exclamações; Sou dono de questionamentos intermináveis que lancei ao vento; Sou pedaço do pequeno mundo lá fora, dentro de um enorme universo à parte; Sou fiel nas traições e sincero demais nas mentiras; Sou a pressa com todo o tempo disponível; Sou a bagunça na qual se encontra qualquer coisa; Sou a continuação das eternas perguntas, e as respostas ainda sem conclusão; Sou o errado que busca acertar e a sorte de acertar sem querer; Sou tristeza mascarando alegria, e alegria enrustida de tristeza; Sou amigo de quase todos, mas poucos conseguiram me cativar; Sou altruísta com estranhos e egocêntrico com os mais próximos; Sou humilde por puro charme, mas vaidoso sem ser pedante; Sou exagerado na medida certa; Sou crente, mas também sou cético; Sou tiro de rosas em canhões, mas disparo mágoas com a própria língua; Sou tão certo quanto a dúvida e tão duvidoso que já nem sei; Sou gritos desesperados em silêncio; Sou interpretado como não queria e invisível quando me mostro; Sou indeciso por pura convicção; Sou mais do que esperam e bem menos do que precisam; Sou aquele que voa ainda no chão e o que desfila aéreo pelas ruas; Sou a rotina inesperada das imprevisíveis aventuras; Sou tão óbvio quanto à própria contradição.

Marcus Deminco

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Pensador.com

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BRIGANDO COM DEUS Ainda que infrutuosas convicções incitem o meu mísero direito de gente, eu não exigirei mais de Deus todas as explicações que me foram omitidas desde quando fui arrancado do calmoso útero que me cobria e arremessado, inexoravelmente, ao labirinto ilógico desse…
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BRIGANDO COM DEUS Ainda que infrutuosas convicções incitem o meu mísero direito de gente, eu não exigirei mais de Deus todas as explicações que me foram omitidas desde quando fui arrancado do calmoso útero que me cobria e arremessado, inexoravelmente, ao labirinto ilógico desse fadário universo de venturas. Eu sou sem pedir para ser, e mesmo carregando o indesejável estorvo da incoerência que veio pregada comigo, quero, inexplicavelmente, continuar sendo quem eu nunca saberei se fui. Sou um gerúndio de reticências funambulando descalçado com a razão ignorada que herdei. Sou um sujeito assim... Aleatoriamente à toa. Sem motivo algum para ser. Pois se o tenho, não conheço, e ao desconhecê-lo torno-me um estranho insignificante de mim mesmo. Submisso a passiva incapacidade de prever a minha sina, sigo buscando desatinadamente o meu tino. Mesmo sem saber se o tenho. O meu destino vestia-se de casualidades intempestivas para ludibriar que minhas atitudes mudariam o meu futuro, entretanto nunca fora nada senão, parte da estúpida necessidade humana de acreditar que tudo seria em conseqüência de minhas nobres decisões. Mas, deixando um pouco de lado as crenças dos desesperados, que por defesa vital nos cega, ainda consigo enxergar com a sobriedade desapontada de um descrente que, o futuro da minha vida sempre independeu das minhas escolhas. Meus amanhãs são ignotos de mim, assim como todos os meus anelos são subservientes aos planos que não seguem sequer os meus roteiros. Sou um fantoche com asas que não voa. Aprisionado numa grande interrogação invisível que não responde as minhas perguntas por preces. Sou impotente, oco e não carrego sequer, a minha própria razão. Sou escravo de uma entidade onipresente que jamais encontrei, curvado aos intermitentes equívocos da sua soberana onisciência que – nem ao menos – posso contestar. Biologicamente, até que com rara racionalmente, explicam de onde eu vim. O que de maneira geral, não elucida muita coisa. Tampouco minora essa minha totalmente tola falta de rumo: como se o bastante fosse suficientemente vital, batizaram a minha carne com um nome, deram-me um coração de vidro trincado, um espírito que nunca vi e privaram-me do meu significado de haver... Afora a certeza de um indesviável desfecho, que ainda rogo a misericordiosa reputação do tal criador para que procrastine de encontrar. Ainda assim, ao revés de toda lucidez e contradizendo qualquer sobriedade, eu não reivindicarei mais de Deus as justas justificativas que ele me deve. Pois, atrelado aos acaso do descaso, trilho o meu caminho por pura intuição, oscilando entre passadas alargadas da certeza inexistente, com pegadas hesitantes de medo, tropeçando nas incertezas que me inibem de ir adiante ou anelante entusiasmo quando quero andar ligeiro. Porque, permeio a toda insensatez que torna a vida ilogicamente incoerente, também persistem irracionais significados que a fazem prazenteira o bastante para vivê-la sem buscar a racionalidade que não existe em existir.