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Outras frases de Hélia Correia

Para quê, perguntou ele, para que servem Os poetas em tempo de indigência? Dois séculos corridos sobre a hora
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Para quê, perguntou ele, para que servem Os poetas em tempo de indigência? Dois séculos corridos sobre a hora Em que foi escrita esta meia linha, Não a hora do anjo, não: a hora Em que o luar, no monte emudecido, Fulgurou tão desesperadamente Que uma antiga substância, essa beleza Que podia tocar-se num recesso Da poeirenta estrada, no terror Das cadelas nocturnas, na contínua Perturbação, morada da alegria;

Nós, os ateus, nós, os monoteístas, Nós, os que reduzimos a beleza A pequenas tarefas, nós, os pobres
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Nós, os ateus, nós, os monoteístas, Nós, os que reduzimos a beleza A pequenas tarefas, nós, os pobres Adornados, os pobres confortáveis, Os que a si mesmos se vigarizavam Olhando para cima, para as torres, Supondo que as podiam habitar, Glória das águias que nem águias tem, Sofremos, sim, de idêntica indigência, Da ruína da Grécia.