Frase de Sariel Oliveira
A ganância do homem raramente começa como maldade. Ela nasce como medo. Medo de faltar. Medo de ser pequeno. Medo de voltar a ser ninguém. No início, é só cuidado. Depois vira acúmulo. O problema é que o limite quase nunca chega — porque a ganância não quer coisas, quer controle. Quanto mais o homem tem, mais ele teme perder. E quanto mais teme, menos ele confia. Aos poucos, troca relações por vantagens, princípios por conveniência, caráter por resultado. A ironia é cruel: a ganância promete segurança, mas entrega prisão. Promete poder, mas produz vazio. O homem ganha o mundo e perde o senso de “basta”. E quando tudo vira meio — pessoas, tempo, até a própria alma — ele já não sabe mais se vive para possuir ou se possui apenas para não encarar o que falta dentro. A ganância não é excesso de desejo. É falta de sentido.
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