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Frase de Nelson Rodrigues da Costa

⁠Sobre o risco de não ser Há quem passe a vida a desejar outro lugar, outra pele, outro nome. Acredita que será mais inteiro se for como os outros, se parecer com os que brilham, se for aceite nos salões onde se aplaude o vazio como se fosse grandeza. Mas o que brilha nem sempre ilumina. E o que parece quase nunca é. O esforço de parecer rouba a paz de ser. E quando se apaga a chama do que nos tornava únicos, fica apenas o eco de quem já não sabe quem é, nem para onde voltar. Não há perda maior do que perder-se de si mesmo. Não há engano mais cruel do que acreditar que a dignidade depende do olhar dos outros. Ser quem se é — com verdade, com firmeza, com simplicidade — é tarefa para os que recusam dobrar-se à mentira do mundo. É caminho sem prémios, mas com sentido. E só o sentido, mesmo que nos isole, nos salva do nada. Quem rejeita a sua natureza para caber onde não pertence, corre o risco de não pertencer a parte nenhuma. Nem aos outros, nem a si. Cuidado com a ilusão dos que se dizem grandes, mas vivem de fingimento e vaidade. Ser visto não é o mesmo que ser verdadeiro. Ser aplaudido não é o mesmo que ser digno. Acredito que não nascemos para caber em moldes. Nascemos para ser inteiros. A dignidade, se é que tem morada, não vive nos olhos dos outros. Vive, talvez, na coerência secreta entre o que se sente e o que se é. E há uma solidão peculiar em já não pertencer nem ao mundo que se tentou imitar, nem ao que se abandonou. O que assusta não é falhar — é perder-se no caminho por ter querido ser outro, sem nunca ter sido inteiro.

Nelson Rodrigues da Costa

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Pensador.com

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Veem-me cinzento. Mas não é por falta de cor — é por não pintarem devagar.
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Veem-me cinzento. Mas não é por falta de cor — é por não pintarem devagar. Não sou o que mostro. Sou o que seguro para não cair. O que calei para não ferir. O que deixei por dizer para não gastar palavras em vão. Aprendi a vestir sombras com a dignidade de quem sabe que até a noite tem camadas. Ergui castelos no ar com mapas rasgados. Com linhas tortas, sim, mas desenhadas com silêncio aceso. Não procuro a luz para brilhar… prefiro arder por dentro a que me apontassem o fogo. E quando me tentam convencer falsamente que o mundo é preto ou branco, guardo as cores no bolso. Não para esconder — mas para aqueles que as querem mesmo ver. Sou feito de todas as coisas que não se veem à primeira. De silêncios que gritam. De memórias que ainda não aconteceram. De palavras que nasceram antes da boca. Não preciso de ser lido. Mas se me lerem, que não me distorçam. Procurem a cor, não as trevas. As que tremem. As que resistem. As que sou.

⁠Jamais existirá despedida entre autênticos irmãos. Os verdadeiros não são apenas presença material, mas também espiritual. Esculpidos no mais profundo sentimento da alma, talhados no núcleo do coração.
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⁠Jamais existirá despedida entre autênticos irmãos. Os verdadeiros não são apenas presença material, mas também espiritual. Esculpidos no mais profundo sentimento da alma, talhados no núcleo do coração. Não importa a distância ou circunstância, nunca será um até sempre, mas um até mais.

⁠ O Poeta Voador Dizem que a dor e o amor fazem o poeta.
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⁠ O Poeta Voador Dizem que a dor e o amor fazem o poeta. Dois lados de uma mesma moeda, que ora dá cara ora da coroa. Fica a bipolaridade ora feliz ora triste... consistentemente insatisfeito. Mas de quem é o problema? Do que ama ou do amado? No fundo do que sofre, porque sonha voar mais alto com asas frágeis e cansadas. Enquanto planeia no alto reza que a esperança não esmoreça, que a nuvem sustente o palácio onde reside o seu espírito lutador...