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Frase de Demétrio Sena - Magé-RJ.

SOBRE O CASO DA PONTE RIO - NITERÓI Demétrio Sena, Magé - RJ. Já dei até opiniões contraditórias neste caso. No fundo, está difícil de avaliar sem nenhum risco de ser injusto, o desfecho do sequestro do ônibus na Ponte Rio - Niterói, nesta fatídica terça-feira 20 de agosto. Houve sim, uma operação policial inteligente, calma, criteriosa e profissional. Com relação à morte do sequestrador, o que posso dizer é que se foi de fato necessária; se o rapaz ainda oferecia perigo aos passageiros e o motorista, realmente a prioridade eram as vítimas do momento. Se ele já não oferecia perigo, foi execução. Não defesa dos 39 cidadãos que, neste caso, já não eram reféns. Sou sempre a favor da justiça. Da vingança, não. Da defesa da própria vida e do cidadão de bem. Não da execução. Execução, nem de criminoso. "Criminoso bom" é criminoso preso, para ter a chance de se ressocializar, como a lei prevê. A redenção é o princípio legal da lei humana, e o princípio bíblico também é esse, para o "pecador". Não sou religioso, mas as minhas referências à bíblia são sinceras, porque o Novo Testamento me toca e tenho grande admiração por Jesus Cristo, embora não o tenha como guia espiritual. Como líder sobrenatural. Tenho sim, um olhar humano e social da Bíblia. Portanto, justiça sim. Execução não. Defesa sim. Jamais vingança. Se o tiro no sequestrador ainda era necessário, aplaudo. Se não era, estou entre os críticos do ato. Matá-lo não por necessidade, mas "para ele aprender a não fazer mais isso" é desumano. Se é que foi assim. Realmente não tenho olhar técnico a contento para determinar sobre isso. Apenas avaliar na base do se... Voltando à Bíblia, nestas horas me pergunto se Cristo hoje não seria apedrejado junto com Maria Madalena, naquele episódio do "Aquele que não tem pecado atire a primeira pedra"... ou o que fariam quando ele dissesse ao ladrão na cruz: "Ainda hoje estarás comigo no paraiso". Será que não gritariam: "Maldito Jesus defensor dos direitos humanos!"? Não há como ninguém saber. Uma certeza eu tenho: Festejar pública e claramente a morte de um jovem, como o governador fez, é desumano. Os sequestrados, mesmo, não fizeram essa festa. Só tiveram alívio. Em um todo, não é realmente uma questão festiva. Esta é a minha segunda postagem de hoje. Não gosto de parecer que moro no Facebook. Mas precisava tirar um tempo neste início de noite, para me manifestar. Estava em meu coração. Tinha que sair. Ninguém me confunda por minhas postagens, com um cidadão justo. Tenho minhas raivas, impropérios e grandes equívocos como ser humano que sou, mas o que mais me assusta hoje na humanidade são a frieza, a truculência e a hipocrisia. Em especial, dos que dizem seguir princípios cristãos. Uma boa noite a quem puder.

Demétrio Sena - Magé-RJ.

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Pensador.com

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SHOW DA FÉ Demétrio Sena, Magé - RJ. A fé que se tem num "Deus", num santo de argila, numa vaca ou numa casca de coco desperta no ser humano a capacidade fantástica de se recompor; se redimir; alcançar graças e às vezes banir doenças. Deus, o santo, a vaca e a casca não podem nada; o mérito é mesmo da fé ou de quem a possui. No entanto, quem a possui não pode se conscientizar disso, pois a fé não vive sem esses ícones reais ou imaginários; imateriais ou concretos. Quem tem fé, tem que tê-la em alguém ou algo, pois ela só se constrói sobre uma base; uma planta; um fundamento. Ter fé não combina com racionalidade à toda prova; com profundo aculturamento e vasta filosofia. Quanto maior a ingenuidade ou a escassês de conhecimento filosófico, intelectual; quanto menor a bagagem cultural ou a sapiência, maior é a chance de uma pessoa obter o que chamamos milagre. Se não creio na menagem central da bíblia, creio nas máximas periféricas como as que tratam das bem aventuranças, no que tange os puros e simples de coração. Eles são bem aventurados, porque têm essa fé que os capacita com a força e a coragem que não vejo nos doutos; nos letrados. Muito menos nos estudiosos e proclamadores da fé. Justamente os que se dedicam por vocação e solidariedade ou por interesses escusos; exploração do próximo. Estes podem suscitar ou promover a fé dos outros, mas não a têm... Pelos menos aquela que "remove montanhas", por ser imensa; do tamanho de um grão de mostarda. Não é na cabeça que a fé habita. Ela mora no coração, e como foi dito, no coração puro. Naquele que sabe crer com todas as forças da sua ingenuidade, até mesmo no desempenho dos falsos "representantes do reino dos céus". Representantes que arrotam como suas, as graças eventualmente alcançadas pelos bem aventurados, por obra e mérito deles próprios... Da sua fé... Não do simples desempenho de quem apenas realiza shows e arrecada cachês da boa, velha e generosa fé pública. Tenho saudades de ter fé. Daquele tempo em que fui sábio, porque não era sabedor. Hoje lamento, embora veladamente, por não ter tido equilíbrio para não deixar que o saber corroesse a sabedoria. Que a cabeça embotasse o coração. Queria pelo menos poder juntar as extremidades, para não ser escravo da crendice nem do ceticismo. Não ser dominado pela ingenuidade cega dos fiéis a todo o custo nem pela intransigência da erudição que também cega. No fundo, creio que fugi de um fanatismo para cair em outro, por ser incapaz de achar o meio termo. Acho que preciso de um "Deus", um santo de argila, uma vaca ou uma casca de coco.