Frase de Mirla Santos
Os limites, às vezes, nascem do sal das feridas, como cercas invisíveis no terreno da alma, moldados por dores que não pedem licença e plantam espinhos no chão da calma. São costuras frágeis no tecido da coragem, um eco das noites em que o silêncio gritou, como rios que se recusam a transbordar, assombrados pelas margens que o tempo deixou. Mas quem disse que a dor só constrói prisões? Ela é pedra, sim, mas pedra de afiar. É na carne cortada que a luz se infiltra, é do sangue que nasce a cor do mar. Os limites não são muros, mas pontos de tensão, cordas que vibram entre o ser e o ceder. Eles cantam a música da reconstrução, e convidam a dançar quem ousa entender. Pois talvez as dores sejam mapas em relevo, ensinando as mãos a sentir sem ver. E os limites, por fim, não sejam barreiras, mas portais que aprendemos a transcender.
No pensador.ai desde