Frase de Jorge Mello
PARALELO TRÊS Percebo agora que tudo acabou minha vida resumiu-se a nada Os sonhos que já não chamo meus, a vida que já não pertenço. As linhas de um ser contente Isso se foi, ou já deixou de existir. Resta-me agora a fadiga, o cansaço e as tristezas do caminho. O caminho que cabia a nós dois dele nada restou nada sobrou Apenas as desilusões de duas vidas que jamais se encontraram Compreendo agora que sou mais um na multidão dos aflitos Meu caminho cheio de despedidas, partidas mal resolvidas. Amores e seus dessabores nesse decorrer de cada partida Ilusões e decepções ao meu encontro em cada ermo lugar A canção da despedida é a alegria de quem parte para volta Morreu o eu que existia e deu-se lugar a alguém que nada sabia Deixo os textos que escrevi e a vida e os seus desencontros Lugar muito propenso a nunca mais voltar, lugar de dores. Caminho e mil amores que no texto caminham lado a lado Apenas o pretexto de quem um dia resistiu, e agora sumiu. Nos textos que não cabe mais digitar, minha canção sem luar. Sumo como some a brisa sem despedidas somente partida Num instante fico ofegante, pois sei que escrevo para desabafar. Coisas da vida, nossas partidas e dores que vem pra continuar. E em muitas palavras fica o desencanto de quem deixou de amar Coisa sofrida, coisa da vida de que almeja nunca para de cantar. Mas é a nossa vida, a vida de quem almeja a princesa alcançar. Mesmo em lugares amplamente vastos que não me cabe cansar Pôs a vida é bela para quem nunca deixou de amar.
No pensador.ai desde