Frase de Diego Evair
PERNAS PRA QUE TE QUERO (Cântico) Pernas, pra que te quero? Velozes, inquietas, entrelaçadas; Presas a mim, abertas - descobertas. Cruzadas - Ah, nó sem fim.... Brancas, vermelhas - Floridas com curvas. Torneadas, desmaiadas - sobre a cama. Enforcam-me, mordo, tiro o laço, Escorrego, abraço - mergulho no abismo. Sanha a boca, abrocham os lábios. Desabrocha a fenda, floresce; adormece, Arrepia os espinhos, fere-me o peito. Devoro caminhos, me perco nas coxas. Me encontro, na fonte da vida, Entrando e saindo; salivando palavras. Murmuro desejos, doces desejos! Azedam os beijos agridoce sabor. Da gruta à floresta, bosque sombrio, Denso nevoeiro: noturnos silêncios, Doloridas saudades. Orvalhadas contínuas, Jorram - luminosas tempestades! (Lamento) Pernas, pra que te quero? Trêmulas, frias e assombrosas. Se não, para fugir do mundo! Pernas, assim me perco. Morro! Fecha-se o cerco, murcham os lírios, Feneço nos campos... Pernas, abram-se a mim, perto do fim. Ainda não acabei. Pernas, escorrem de ti O sol das manhãs, tardes afins. Pernas, este canto se encerra, Com versos floridos, umedecidos, Por nectários desejos....
No pensador.ai desde