Frase de Raniere Gonçalves
O sono pesa minhas pálpebras de chumbo. Morfeu me puxa os pés enquanto meus dedos automáticos escorrem pelo teclado. É hipnótico. Um mais-que-um-vício. Meu cérebro corroído por taturanas vermelhas. Imagens, palavras: ir-e-vir-e-ir-e... Dormir é desconectar. Desconectar é viver. E viver não é preciso. Naveguemos, pois, Pessoa. Amanhã retumbarão culpas. Outra jornada A la recherche du temps perdu. Mas vá! Melhor que os bispos da Universal, melhor que o ópio da zona baixa. Ou não? Acabarei mesmo por me entregar. O peso é demasiado. Dos dias-e-noites, do chiaroscuro intermitente na janela. Um vento negro apagará meu senso. Levará o sonho para dentro de minhas narinas corroídas, das minhas orelhas moucas. Dormirei, enfim, para novamente girar a roda do destino. Do meu destino apoucado de alegrias pela areia amarga dos anos. Que já vai um pouco além da metade da ampulheta da vida.
No pensador.ai desde