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Frase de Raniere Gonçalves

O sono pesa minhas pálpebras de chumbo. Morfeu me puxa os pés enquanto meus dedos automáticos escorrem pelo teclado. É hipnótico. Um mais-que-um-vício. Meu cérebro corroído por taturanas vermelhas. Imagens, palavras: ir-e-vir-e-ir-e... Dormir é desconectar. Desconectar é viver. E viver não é preciso. Naveguemos, pois, Pessoa. Amanhã retumbarão culpas. Outra jornada A la recherche du temps perdu. Mas vá! Melhor que os bispos da Universal, melhor que o ópio da zona baixa. Ou não? Acabarei mesmo por me entregar. O peso é demasiado. Dos dias-e-noites, do chiaroscuro intermitente na janela. Um vento negro apagará meu senso. Levará o sonho para dentro de minhas narinas corroídas, das minhas orelhas moucas. Dormirei, enfim, para novamente girar a roda do destino. Do meu destino apoucado de alegrias pela areia amarga dos anos. Que já vai um pouco além da metade da ampulheta da vida.

Raniere Gonçalves

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Atroaram roucos estampidos no distante. Zilhões de gotículas vieram, chuveriscando a pastaria. Desenhou-se um riso álacre nos meus lábios: Perdigotos de deus colorindo de verde esses meus olhos abaçanados.

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Refuguei o periquita. Um bom português não deve ser sacrificado assim na solidão de um fusili com linguiça. Coloquei a garrafa de volta no berço para que fique adormecida até a chegada dalguma princesa pálida. Ou mesmo de amigos valorosos. Agora vou começar a sesta porque depois ainda terei muito que urdir lá pelos meus domínios na barra do Piancó.