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Frase de Augusto Galia Fernandes

⁠A janela "Je laisse la vie, comme les fleurs laissent la mort! Les fleurs laissent la mort jolie, La décoration des fleurs est unique, Qui fait la mort jolie? sinon les fleurs? Les fleurs embellissent, ensorcellent! Elles sont la beauté de l'enterrement.” Ao som das estações, fabricam-se ossos e costumes, Estátuas e revestimentos culturais. Há dias tenho tido lembranças de outras lembranças, Tenho conjurado sonhos irreais em pesadelos, E tenho tido pesadelos conjurando sonhos. Possuo dois cérebros: Passíveis, Conjurados um contrário ao outro. Pela plenitude fictícia de nunca estar certo, Tendo por prazer real, nunca se saber quando é que se está louco. Com alguns retratos, eu escondo partes de uma parede despojada, Expondo pequenos espaços a serem preenchidos pela imaginação. Ah, esse pequeno mundo que arquiteto debruçado na janela. Eu vivo em paredes que só existem dentro de mim. Observo distante, esses quadros anacarados a vela, Passo as horas tal qual um relógio velho; atirado-me ao chão. Sob a escuridão de mim, oculto-me neste escárnio quarto, Fico imutável na depravação imaginária dos pensamentos. Escrevo sobre tudo, sem ter nunca conhecido nada. Aqui redijo! – Como quem compõe e nada espera, Como quem acende um charuto e não o traga, Apenas saboreia-o por mera desocupação. Escrevo, porque ao escrever: – Eu não me explico! Como quem escreve, não para si, não para os outros, Escreve; porque tem que escrever. Transcrevo em definições um antinomismo de mim mesmo, Depois, faço algaravias conscientes da imperícia consciência. Nada é mais fétido do que a minha ignorância erudita. Há três horas; – Sinto diferentes sensações, Vivo a par disto e daquilo; – E sempre a par de nada, Estou repleto de preocupações que não me preocupam. Calmamente, inclino-me para o mundo de fronte à janela, Observo que por pouco observar, eu tenho a visão da praça, Diante dela, tenho também a visão de um pedinte violinista. Inclino-me para dentro de mim e tenho a visão de um homem, Que hora é homem e hora são as minhas sensações, De que tenho sido um homem. O meu mundo é o que posso criar da janela do meu quarto, Esse coveiro desempregado da minha senil consciência, Um túmulo escavado por falsas descobertas arqueológicas, A terra anciã é o amparo às minhas espáduas sonhadoras, Preceitos juvenis? – Todos mortos! E hoje são somente terra, Mas estou cansado; acendo outro charuto e me afasto da janela. O silêncio dos meus passos conforta o meu coração, A fumaça traz lembranças que me fazem sentir, Ainda que eu não saiba exatamente o quê. Sou indiferente aos lugares que frequento, Tenho sido visto por muitos, mas tenho visto tão poucos. Ah, ninguém me define melhor do que eu mesmo. Caminho de fronte ao espelho: A tentar definir-me, Certeiro de que ao derradeiro fim, não terei definição alguma. Exceto, a falsa definição de que me fizeram os tolos. De volta à janela, Vejo a esperança exposta em uma caneca e um violino. As mãos que sustentam a caneca, cansam antes das cordas. Os homens passam e rejeitam ajudar com um mísero centavo. Ah, cordas que valem menos do que o som que proporcionam, Ouço-o e por ouvi-lo, eu observo os espíritos desprezíveis, O meu cansaço distorce as melodias que essa alma compôs. Diferencio-me e jogo-lhe alguns centavos: Ah, uma esperança surge nos ombros cansados. O violinista volta a executar melodias nas cordas senis, A pobre rabeca se torna um estradivário valioso. Eu sou um escritor, mas, não sou ninguém. Agora esse violinista; talvez seja alguém. Talvez escreva melodias que muitos ouvirão, Ou que ninguém, talvez! Dentro de um raciocínio lógico eu o defino ao definir-me. Ele é a esfera do infortúnio. – Eu sou a pirâmide do êxtase. Intercalamos entre o que está por vir e o que está presente. Reacendo o charuto, fecho os olhos e ouço a melodia, Desta janela vivo sendo outro, para evitar ser eu mesmo. Eu poderia sentar a praça e observar, de perto, o violinista; Tudo que vejo da janela me deixa com os olhos em lágrimas. Aqui de cima o mundo é admirável, mas não consigo explicar-me. Que faço eu? – Que faço eu ainda aqui, debruçado na janela?

Augusto Galia Fernandes

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Pensador.com

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⁠Soneto das Recordações Imaginárias Nas festas só de memórias imaginadas, Vivo eu, limitado em existencialismo. Caprichos meus, fantasias aladas, Loucura e ingenuidade em abismo. Serpente sou, em harpas melódicas tocadas, Nobiliárquico em desgraças, sem otimismo. Das sensações humanas, já fatigadas, Nas veredas antigas, encontro o cinismo. Meus deuses, iníquos, tecem a fábula da vida, Onde cada ato é farsa, cada dor é conhecida, E a verdade se esconde, velada e esquecida. Em minha alma, ecoam vozes, perdidas, Nesse palco de sonhos, onde a fé é partida, Sou espectro vagando, em jornadas extintas.

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⁠Ecos do Inexplorado Sob olhares desconfiados, somos julgados, Em um mundo onde as mentes são mares inexplorados. Nas ondas do desconhecido, navegamos sozinhos, Nossas vozes, ecos distantes, em caminhos sem vizinhos. Nas profundezas do ser, onde os sensores traçam, Linhas e ondas, mapa de uma alma que não se encaixa, Cada pico, cada vale, um universo a desvendar, Nas sinfonias elétricas de histórias a contar. E na busca por alívio, na química encontramos abrigo, Quietados numa chave misteriosa, portas do desconhecido. Em cada molécula, uma promessa, um novo amanhecer, Um convite para a mente, suavemente, se entender. No silêncio das tempestades, a fumaça sussurra calmaria, Como um bálsamo suave, trazendo paz ao dia. Nas correntes do sentir, um elixir para a dor, Um toque gentil, um caminho para o amor. Somos viajantes de um cosmos vasto e singular, Cada estrela, uma história, em um céu a brilhar. No espectro singular, cada luz, uma cor, Cada vida, uma poesia, um eterno explorador.

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⁠Soneto da Existência Dicotômica No rastro da vida, um dilema se esconde, Por ouro e por sombra, em dúvida me perco. Nas curvas do ser, o destino que arremesso, Vale a pena o viver, ou é fardo que responde? Verdades se ocultam em fé não contida, Na pressa da vida, a eterna busca insana, Cada curva, um desafio, na estrada que emana, Onde a mente batalha, na jornada sofrida. Mas na sinfonia da vida, um regente persiste, Talento e decência, em harmonia tão rara, Na dualidade do ser, a escolha declara, Na ética e na luta, o caráter insiste. E ao final, na busca incessante do ser, Nos versos da vida, a essência revela: Na força do sonho, a alma anseia e apela, Por um mundo que, em dualidades, devemos percorrer.

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⁠Universo Introspectivo Dentro de mim, há mais do que o olhar alcança, Sou um Mar profundo de pensamentos, em tempestades de emoção, Navego por esses mares, como estrelas guias, Que brilham como a luz da introspecção. Ah, essas noites longas, em que me debruço sobre mim, Onde o silêncio fala mais alto do que qualquer grito, Descubro nas sombras que me cercam, Ecos do meu eu antigo, sussurros de um destino esquecido. Nessas horas, o mundo externo adormece, Torna-se mero espectador de um drama íntimo, Onde eu sou o ator e a plateia, mas sem diretor e a crítica, Em um teatro onde cada pensamento é um ato e cada suspiro, uma cena. E nesse palco, luz e sombra dançam, Entrelaçam-se em um abraço de revelação, A cada movimento, um mistério recôndito surge, Numa coreografia de descobertas e transformações. Em mim, o universo se expande, Sou uma galáxia de possibilidades em um sistema solar de sonhos, Cujo os pensamentos, tal qual um cometa errante, Perdem-se em sentimentos em sua própria órbita. E assim, nessa dança universal, Encontro a verdadeira essência da existência, Não no mundo lá fora, mas no universo aqui dentro, Na revelação interior, onde cada estrela é um pedaço do meu ser.