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Frase de Nelson Rodrigues da Costa

⁠Carrinho de bebé Queres tudo. Sem dar nada. E acreditas que isso é liberdade. Não é. É prisão disfarçada de conforto. Vais sentado. Não por falta de pernas, mas por falta de vontade. Braços soltos, olhar vago, como se o mundo te devesse movimento. Empurram-te. Eles. Velhos, cansados, mas fiéis. Ainda a carregar-te como se fosses promessa por cumprir. Como se amar fosse garantir que nunca caias, mesmo que nunca aprendas a andar. És adulto. Mas recusaste o salto. Preferiste o colo prolongado, o caminho sem ferida, a sombra do que nunca arriscaste ser. Fazes-te pequeno porque crescer implica dor. E tu preferes que te amem imóvel do que te enfrentem de pé. Queres sucesso, mas sem obra. Queres destino, mas sem jornada. Queres tudo, mas não queres pagar o preço de nada. Vives numa redoma. De vidro espesso, mas temperado a afeto. Um casulo onde o cordão umbilical não foi cortado, apenas esticado, como uma corrente feita de ternura e medo. Eles empurram-te porque te amam. Mas o amor, quando não acorda, também adormece. Um dia cairão. E não por cansaço, mas porque chegou o fim. E tu, sem chão, sem rumo, sem desculpa — descobrirás que a vida que evitaste não te espera. Nunca esperou.

Nelson Rodrigues da Costa

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Pensador.com

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Outras frases de Nelson Rodrigues da Costa

Veem-me cinzento. Mas não é por falta de cor — é por não pintarem devagar.
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Veem-me cinzento. Mas não é por falta de cor — é por não pintarem devagar. Não sou o que mostro. Sou o que seguro para não cair. O que calei para não ferir. O que deixei por dizer para não gastar palavras em vão. Aprendi a vestir sombras com a dignidade de quem sabe que até a noite tem camadas. Ergui castelos no ar com mapas rasgados. Com linhas tortas, sim, mas desenhadas com silêncio aceso. Não procuro a luz para brilhar… prefiro arder por dentro a que me apontassem o fogo. E quando me tentam convencer falsamente que o mundo é preto ou branco, guardo as cores no bolso. Não para esconder — mas para aqueles que as querem mesmo ver. Sou feito de todas as coisas que não se veem à primeira. De silêncios que gritam. De memórias que ainda não aconteceram. De palavras que nasceram antes da boca. Não preciso de ser lido. Mas se me lerem, que não me distorçam. Procurem a cor, não as trevas. As que tremem. As que resistem. As que sou.

⁠Jamais existirá despedida entre autênticos irmãos. Os verdadeiros não são apenas presença material, mas também espiritual. Esculpidos no mais profundo sentimento da alma, talhados no núcleo do coração.
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⁠Jamais existirá despedida entre autênticos irmãos. Os verdadeiros não são apenas presença material, mas também espiritual. Esculpidos no mais profundo sentimento da alma, talhados no núcleo do coração. Não importa a distância ou circunstância, nunca será um até sempre, mas um até mais.

⁠ O Poeta Voador Dizem que a dor e o amor fazem o poeta.
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⁠ O Poeta Voador Dizem que a dor e o amor fazem o poeta. Dois lados de uma mesma moeda, que ora dá cara ora da coroa. Fica a bipolaridade ora feliz ora triste... consistentemente insatisfeito. Mas de quem é o problema? Do que ama ou do amado? No fundo do que sofre, porque sonha voar mais alto com asas frágeis e cansadas. Enquanto planeia no alto reza que a esperança não esmoreça, que a nuvem sustente o palácio onde reside o seu espírito lutador...