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Frase de Marcelo Caetano Monteiro

"VEM HOJE TRABALHAR NA SEARA DO SENHOR." Autor: Marcelo Caetano Monteiro. (Mateus 21:28) O Chamado Silenciado: “Vem Hoje Trabalhar na Seara do Senhor” Há uma frase simples e direta nos Evangelhos, esquecida por muitos, mas carregada de um poder moral que atravessa séculos: “Filho, vai hoje trabalhar na minha vinha.” (Mateus 21:28) É uma convocação — não para amanhã, não quando for mais conveniente, não quando o mundo estiver mais calmo — mas hoje. Hoje, apesar das dores. Hoje, apesar das dúvidas. Hoje, apesar da nossa pretensa indignidade. Contudo, o que fazemos nós, espíritas, quando ouvimos essa voz ecoando do Cristo? Muitas vezes, respondemos como o primeiro filho da parábola: “Não quero.” Ou pior: disfarçamos o “não” com justificativas longas e rebuscadas: “Preciso me preparar melhor.” “Não tenho tempo agora.” “Estou passando por dificuldades.” “Quando eu estiver mais forte, então irei.” Essa postura é o que Emmanuel chamaria de desculpismo moral, aquela tentativa de encobrir a fuga do dever com capas de racionalização e espiritualidade passiva. O Chamado Interior e o Labirinto das Desculpas. A maioria de nós — sejamos sinceros — não diz 'não' com os lábios, mas diz com os atos. Somos especialistas em adiar: empurramos a caridade para depois, o estudo para mais tarde, o perdão para quando a dor passar, o esforço no bem para quando a vida estiver mais fácil. Kardec nos alerta, em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 20, item 4, que os trabalhadores do Senhor não são apenas os médiuns ou os que estão nas tribunas *( Saibamos entender ), mas todo aquele que, tocado pela verdade, a pratica com coragem e perseverança. E em O Livro dos Espíritos, questão 642, lemos: “Para agradar a Deus e assegurar sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?” E os Espíritos respondem com clareza: “Não; é necessário que faça o bem no limite de suas forças...” Ou seja: a omissão também é queda moral. A "Tragédia" do Pós-Porvir. O Espiritismo, com sua beleza lógica e sua moral ativa, nos mostra que toda reencarnação é uma convocação. E quem posterga hoje, poderá clamar amanhã, mas sem mais tempo para atender. Em O Céu e o Inferno, na segunda parte, os depoimentos de espíritos arrependidos nos cortam a alma. Muitos tinham conhecimento do bem e adiaram o serviço. Depois da morte,suplicam: “Por que não fui quando Ele me chamou?” A procrastinação do bem é o lamento dos espíritos lúcidos que não ouviram a voz do Mestre enquanto tinham tempo. Essa é a grande tragédia do “depois”: o trabalho de agora que nunca foi feito. A Profundidade Psicológica da Chamada. Do ponto de vista psicológico, a recusa ao chamado se enraíza no ego: — medo de falhar, — desejo de conforto, — culto à autoimagem de perfeição antes de agir. Segundo Joanna de Ângelis (O Ser Consciente, cap. 11), o Espírito em processo de despertar sofre com os conflitos do “dever” versus “desejo”. O ego tenta preservar-se, mas o Eu profundo anseia servir. Jesus, com sua sabedoria transcendente, nos chama pelo coração, não pela conveniência. E é por isso que a frase é tão direta: “Vem HOJE.” Ele sabe que o amanhã é apenas um nome dado à nossa fuga. Nesta seara vasta de dores humanas, de lutas invisíveis e esperanças exaustas, o chamado do Cristo ainda ressoa: “Filho, vai hoje trabalhar na minha vinha.” (Mateus 21:28) Não importa se teus braços estão cansados, se tua alma está em frangalhos, se teu saber ainda engatinha. Vai mesmo assim. A seara não exige perfeição, exige coração disposto. Não exige brilho, exige boa vontade. A maior honra de um espírito desperto é saber que Jesus não chamou os mais fortes, mas os que tivessem coragem de tentar. O trabalho no bem é o remédio das dores que carregamos. E quem se dispõe hoje, já está curando o ontem, e semeando luz para o amanhã. "Espírita! A tua responsabilidade é do tamanho da luz que recebeste."

Marcelo Caetano Monteiro

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