Frase de IsleneSouza
O Prisma Velado Um estranho tingido de nuances tenta ocultar-se sob o peso das dores, mas há uma claridade que vaza pelas frestas, teimando em revelar suas cores. Veste falas ásperas, molda controvérsias, mentindo sobre a própria essência: tem o olhar transbordando vida, enquanto a boca impõe abstinência. Cuidado, ele assusta. É caminhar sobre lâminas de vidro; basta um sopro, uma palavra mal posta, para que o castelo caia, desvalido. Inseguro, tropeça no próprio silêncio, anseia pela escuta, mas recua no umbral. Há um universo contido nesse peito, que se veta o direito de ser real. Brilha, pequena luz, rompe o casulo. Esconder o sol não lhe faz sentido. Seja agora, ou em um futuro mudo, o amor reclama o que foi reprimido. Essa hesitação cederá terreno ao que pulsa e, doce, seduz; uma voz que o retira do ermo e o convoca, enfim, para a luz. Não economize a alma, não se limite à razão. Voe para além do que o medo condiz. Busque o néctar, o mel, a entrega; há doçura esperando quem se quer feliz. O amor não pede licença nem explicação: ele chega sem alarde, desarruma o porto, e faz um belo estrago na solidão dessa sua iludida arrumação. Poesia de Islene Souza
No pensador.ai desde