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Frase de André Lemour

⁠Carta que nunca será enviada Eu não confio mais em você. E, pra ser sincero, eu nem sei mais quem é você. Por muito tempo, eu acreditei que te conhecia. Que havia em você algo que me despertava curiosidade, vontade de estar, de ouvir, de entender. Mas hoje, não há mais nada aí que me faça querer permanecer. Nenhuma faísca. Nenhuma vontade de tentar te conhecer de novo. Eu te ouvi assumir seus erros. Ouvi você dizer que estava sobrecarregado, que descontou em nós o que não era nosso. E, veja bem, não estou aqui pra invalidar sua dor — nem a sua nem a minha. Mas também não vou fingir que não escutei, no meio disso tudo, você deixar claro que esse arrependimento não era sobre nós, não era sobre o que causou, era sobre você. Sobre você se sentir bem consigo mesmo. Sobre você tirar esse peso das costas. E tá tudo bem. Sabe? Eu até entendo. Cada um lida como pode. Mas eu, André, acredito que arrependimento nasce quando a dor que você causou no outro pesa mais do que o desconforto que você sente consigo mesmo. Quando se pede desculpa só pra aliviar o próprio peito, sem se importar com o peito do outro... pra mim, isso não tem valor nenhum. No fundo — e aqui está talvez a parte mais cruel disso tudo — eu sinto falta do que eramos. E é essa saudade que me faz, teimosamente, pensar em dar mais uma chance. Só que... chance pra quê? Pra quem? Porque você não é mais aquele que eu achei que conhecia. Quando voltei, senti que não havia mais espaço pra mim. Você já tinha outros. E eu, que sentia sua falta, percebia, na mesma medida, que meu sentimento não fazia diferença nenhuma. E segui... me mantendo no meu lugar, no silêncio que você me deixou. Aí sua vida virou de cabeça pra baixo. E me pergunto... desde quando sua identidade dependia tanto de quem estava do seu lado? Desde quando você só conseguia se amar se alguém te amasse de volta? Porque, de repente, você não era mais aquele cara doce, gentil, atencioso. De repente, tudo virou distância, silêncio, respostas curtas e olhares pesados. Você demorou tanto pra me contar... e nem era sobre o que você viveu. Era sobre a distância que você escolheu criar enquanto eu só esperava que você me visse. Que você, ao menos, me notasse. E mesmo quando soube, eu só fiquei chateado. Chateado, não bravo, não ferido a ponto de te julgar como você achou que eu julgaria. “Vocês me conhecem”... Pois é. Nem você se conhece. Eu só achei que conhecia. E achei, também, que você me conhecia. Eu estava disposto, sabe? De verdade. Eu estava pronto pra deixar tudo isso pra trás e seguir, do jeito que desse, do jeito que fosse. Mas a forma como você lidou hoje... a frieza, a esterilidade, a forma como você distorceu tudo, me deixou com a certeza de que não. Eu não quero mais você na minha vida. Sim, eu iria sofrer por te perder. Mas, agora, não mais. Não, não mais. Precisava de uma opinião. E ouvi sobre o sentimento de pena. Eu... infelizmente, não cheguei a esse nível de empatia. Me protejo. Me cuido. E fico onde estou. Não me coloco mais onde não vejo mais futuro. Os caminhos mudaram. E tá tudo bem.

André Lemour

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Inabitável tantas formas possíveis, mas sou essa—justamente essa que dói. achei que era o cabelo, cortei. talvez o peito, então curvei a coluna, encolhi, escondi. talvez a roupa, mudei. talvez a maneira como me movo, falo, existo. mudei. mudei. mudei tudo que minhas mãos alcançaram. mas meu rosto não esculpe sombras no espelho, meus ombros não marcam presença no espaço. não sou pedra, não sou aço. sou frágil demais para ser quem desejo, pequeno demais para ocupar o mundo como ele exige. há marcas no meu corpo que não reconheço, ausências que gritam na pele, no reflexo. e que tipo de homem eu sou? um que luta para caber em si. eu queria carregar isso com orgulho, mas é um peso que me dobra, me afunda. meu eu por dentro grita, se debate, se agarra às grades da minha pele e implora— onde está meu corpo? onde está meu corpo? onde está meu corpo? me atraio por caras que nunca vão me ver inteiro. sei do olhar que me mede, que me nega, sei do que falta entre as minhas pernas e de como isso faz de mim um quase, um nunca. mas que culpa eu tenho? vou realizar meus sonhos. vou tocar o impossível. mas no fim, ainda serei trans. até o último segundo, até o último suspiro, a palavra nunca me deixará. mas, por quê? por quê?

Quão Quão profundo foi o teu? Quão perdido ficou o meu?
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Quão Quão profundo foi o teu? Quão perdido ficou o meu? Quão real foram os teus? Quão iludido fui eu? Quão forte bateu o peito teu? Quão vazio ficou o meu? Quão breve foi a entrega tua? Quão eterno restou em mim? Quão fácil foi a partida tua? Quão difícil é a minha? Quão leve foi libertar-te? Quão preso ainda estou?