Frase de Andre F. Koopman
BARULHO Um minuto…. A cada três Um minuto… de silêncio, pela mãe pretaSeverina Que encara de frente, mais uma vez, A sua sina Quinhentos, Quinhentos anos de silêncio Sob o jugo do capitão do mato Os grilhões, as correntes Cento e trinta Quem aguenta? Quase um século e meio De tormenta Livres das correntes de ferro presos às correntes sanguíneas à miséria da favela asfixia! Moral, letal! Vão-se Pedros, Joãos, Marias, Anas Silvas com suas histórias interrompidas ...“pow” Três ou treze, A bala Sempre perdida Só se recorda do caminho errado E, de três em três Minutos Lá está Um minuto de silêncio? Por quê? Apenas mais um, Somado a uma vida Que se findou Calada Somado ao grito calado De um coração materno arruinado Pela sede de vida e de morte Que levam às polarizadas Extremidades Correntes elétricas O desespero... Alocado ali, entre o peito e a garganta Junto a tudo que jamais se pôde dizer Não! De silêncio… Basta! É preciso barulho É preciso muito barulho! Para que, das entranhas da devastação Reverbere a igualdade A voz com gosto de sangue Retida Barulho que desnude O gosto amargo Da falta de sabor Da vida de milhões… Que, vivos Morrem um pouco a cada minuto de silêncio Muitos... Muitos Minutos de Barulho!
No pensador.ai desde