Alguns meses atrás, me peguei te olhando estranho. ‎Pensei: “o que é isso? No que estou pensando?” ‎ ‎Com o passar dos dias, me vi te admirando. ‎Admiração é algo tão normal, não é? ‎ ‎Depois de algum tempo, nos imaginei juntos ‎e me perguntei por que a nossa criatividade vai tão longe. ‎Que coisa ridícula. ‎ ‎E quando me dei conta, estava querendo te ver. ‎Estava reparando no que você fazia, ‎em como cortou o cabelo, ‎no livro que estava lendo, ‎até nas músicas que costuma ouvir. ‎ ‎Percebi que não tinha como voltar atrás. ‎Já estava eu submersa nas minhas emoções, ‎querendo sair correndo, ‎talvez gritando: um “eu te amo”. ‎ ‎Aí me veio a pergunta: ‎grito bem alto ‎ou abafo essa voz no fundo do peito? ‎Mas, mesmo que eu tente esquecê-lo, ‎meus pensamento colidem com meu coração e a minha alma. ‎ ‎E, quando vejo, estou refém de um alguém ‎por quem anseio a todo momento. ‎Uma pessoa com quem me preocupo. ‎Olho e pergunto: ‎“está tudo bem?” ‎E esse alguém responde: ‎“sim, tudo ok.” ‎Quando sei que não está. ‎ ‎Mas o que eu queria mesmo ‎era estar ali ao seu lado, oferecendo-lhe um abraço. ‎Só não sei se tenho esse direito, ‎até porque somos meros amigos ‎ou, melhor dizendo, conhecidos. ‎ ‎E logo depois me repreendo ‎e digo: ‎“pense em você, somente em você.” ‎ ‎E por esse motivo me engano, ‎dizendo que isso vai passar, ‎que é algo tão supérfluo,pra que se preocupar? por que se importar. ‎ ‎Mas, quando penso que deixei pra lá, ‎meus olhos se encontram com os seus ‎e esse sentimento tão avassalador e imprudente ‎me lembra que menti para todos… ‎inclusive para mim. ‎

Isadora de lima

Publicada em 19 de setembro de 2026

Fonte: Pensador.com