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Frase de Gabriela Denke

A CADEIRA DO DENTISTA Quem nunca teve que ficar sentado em uma cadeira de dentista por horas? Pois bem, acho que todo mundo já teve uma cárie. Isso foi o que me ocorreu dias atrás. Lá estava eu, com a boca aberta, quase deslocando a mandíbula, olhando aterrorizada para o semblante nada agradável da dentista, que examinava meus dentes. Eu me sentia deveras angustiada. O medo corria em minhas veias, o suor começou a escorrer na minha testa e o nervosismo tomou conta de meu ser. Me parecia mais como uma tábua, de tão tenso que meu corpo ficara. Afinal, ninguém nesse mundo gosta de ir ao dentista, ou se sente bem em uma cadeira daquelas, só se a pessoa em questão, sofre de algum problema mental, pois esse lugar é um dos piores para se estar. Nesse sentido, a ansiedade era enorme, mas a dentista nem sequer tinha encostado um dedo em minha boca; enquanto isso na minha mente acontecia uma batalha intensa. Quando avistei a agulha da anestesia, meu mundo desabou, queria sair correndo dali e nunca mais voltar. “A dor está próxima”, pensava eu, e de repente aquela coisa enorme e pontiaguda já estava fincada em mim. O pior de tudo isso, é que a minha cara de sofrimento tinha começado há uns vinte minutos atrás, antes mesmo de eu me sentar naquela cadeira sufocante. Ou seja, a minha “dor” já tinha começado há muito tempo, como algo meio inconsciente. Contudo, em um piscar de olhos, a terrível anestesia já tinha passado. Fiquei pasma! Como não senti dor alguma? Alguns minutos antes ela já existia, então o que aconteceu ali foi loucura. Loucura? Eu não diria desse modo. Chegando em casa, pensei: meu medo era tão grande que na minha cabeça tudo seria horrível. Mas não foi bem assim. Era apenas meu cérebro criando futuros tenebrosos. A nossa mente é o que de mais poderoso nós temos, ela simplesmente inventa cenários terríveis, que provavelmente nunca ocorrerão. Desse modo, ela nos conduz a “sentir a dor antes da facada”, sentir medo de um momento fictício tornar se realidade, tudo isso impulsiona uma desordem imensa em nossos sistemas corpóreos. A mesma coisa se passa ao sonharmos com animais peçonhentos: no despertar noturno, achamos que nossa cama está cheia deles, sentimos cócegas por todo o corpo, mas, quando olhamos, nada tem embaixo das cobertas. O que quero dizer é que: não deixe sua mente te dominar, não morra antes do tiro, não sofra por antecedência, deixe para sentir a dor no instante em que ela se passa, isso se você chegar a senti-la.

Gabriela Denke

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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FREQUÊNCIAS NÃO SINTONIZADAS Se me perguntassem hoje se eu acredito em conexões reais, eu diria que depende muito, creio fielmente que o amor exista de forma verdadeira, mas a afinidade entre dois seres humanos, é algo quase que intangível pra mim. Sintonizar-se com a estação ce…
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FREQUÊNCIAS NÃO SINTONIZADAS Se me perguntassem hoje se eu acredito em conexões reais, eu diria que depende muito, creio fielmente que o amor exista de forma verdadeira, mas a afinidade entre dois seres humanos, é algo quase que intangível pra mim. Sintonizar-se com a estação certa é tarefa difícil nos dias atuais, são diversas ondas eletromagnéticas pairando pelo ar. E como achar a frequência certa? Aí que mora uma das maiores questões da humanidade. Reflito isso noite e dia, dentre tantas sintonias, nenhuma se encaixa na minha orquestra e isso dói demais. Dizem por aí que o problema está em mim, mas penso que não tem como gostar de uma música vazia, sem sentimentos, algo superficial como um leito de riacho seco. Minhas águas são profundas, só me encontro com oceanos vastos,e por isso me julgam por eu não me juntar com ninguém. Mas como? Se todas as estações de rádio já estão sintonizadas ou então são como chiados, não se ouve, nem sente nada. Olho ao meu redor e me decepciono cada vez mais, amores puramente biológicos, fascinados em uma casca que apodrece com o passar do tempo. O pior de tudo isso, é quando o mundo cobra a conexão, se você não se calibrar a uma frequência, corre o risco de ficar flutuando no ar sozinho para sempre. Confesso que tenho medo disso, mas ao mesmo tempo sinto que carrego uma pressão enorme em cima da minha cabeça, preciso gostar de alguma sinfonia logo, se não a minha orquestra ficará incompleta. Da mesma forma que esse pensamento vem, outros também aparecem ,como: E se eu não precisasse daquela sinfonia? Meu concerto musical seria único, afinal tenho um grande desfiladeiro para seguir na jornada da vida, posso finalmente entrar em sintonia com 60 anos de idade. As pessoas do mundo atual, se precipitam em seus encontros e acabam no fundo do poço, por medo de serem julgadas, mas eu prefiro um rádio sem interferências e chiados chatos, mesmo que essa qualidade leve uma vida para vir à tona. Conexões não nascem da noite pro dia, nem mesmo de uma mensagem de texto, sintonia é no olhar, é na fala, antes mesmo de qualquer contato físico, são como ondas de rádio, invisíveis porém sentidas. Elas só brotam, quando olhamos no olho de uma pessoa, e vemos a profundeza de seus mares, somente essas pessoas podem sentir essa sintonia. Só que para encontrar essas águas profundas, é como achar uma agulha em um palheiro, talvez não estejam em extinção, só presas em um mundo de frequências falsas, e sabe lá quando encontrarei minha confluência.

Jardim de Pragas Antigas Era uma quinta feira normal, fui pra escola como sempre, sentei-me em minha carteira e esperei a aula começar. Tudo estava ocorrendo normal como todos os dias, conversas sem pausa, professores pedindo por respeito e alunos que não fechavam a boca por nad…
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Jardim de Pragas Antigas Era uma quinta feira normal, fui pra escola como sempre, sentei-me em minha carteira e esperei a aula começar. Tudo estava ocorrendo normal como todos os dias, conversas sem pausa, professores pedindo por respeito e alunos que não fechavam a boca por nada. Até que chegou a aula de sociologia, a professora estava lecionando sobre cultura, e entre uma palavra e outra trouxe o exemplo do carnaval, uma cultura muito forte no Brasil. Quando que do nada percebi os diversos comentários horríveis: ‘O povo que vai pro carnaval deve ir pro inferno’, ‘esse povo da Bahia, que cultua a macumba, é do demônio’. Isso e muito mais foi o que alguns meninos falaram. O clima ficou pesado, senti como se tivesse caído uma tempestade em cima de mim, a umbanda faz parte de mim, e escutar aquilo colocou-me no tão temido inferno que eles acreditam. Fiquei pensando naqueles meninos, esses atos não são de agora, remetem ao passado, são como ervas daninhas em um jardim florido, mas que apesar de destruir todos os diferentes à sua volta, tem raízes profundas, tão fundas que remetem ao descobrimento das terras que conhecemos hoje. São plantas tão bem estruturadas que não são mortas com qualquer veneno, a cada novo ser que nasce nesse jardim, ele é brutalmente infectado, fazendo-o proferir a mesma praga de seus antecessores. Aqueles que não são contaminados, sofrem com essa praga, combatem-na com toda a sua força, são pessoas que ainda acreditam na salvação desse canteiro. Esses novos seres que nascem, são os únicos que podem acabar com o padrão de contaminação, já que estas plantas jovens têm seus caules mais puros e se olhassem para outro lado, poderiam se agarrar em vegetações firmes, assim seriam livres dessas ervas daninhas. O silêncio ecoava pelos corredores, era uma quietude que doía e ao mesmo tempo ardia na alma, tudo aquilo estava sem controle, nenhuma palavra vinha para acalmar aquela tempestade, e nem se quer uma tentativa de segurar aquelas pragas. Tudo estava já danificado, eu teria de ser forte, já que ninguém estava lá para arrancar as ervas daninhas. Mas mesmo que calassem-nas, não adiantava mais, raízes profundas não morrem com o corte do caule, devem ser tratadas em essência. Quando bateu o sinal para finalmente ir para casa, fechei a mochila e fui caminhando para casa. O peso da mochila era gigante, o silêncio amedrontador da escola misturado com todas aquelas ervas daninhas ao meu redor, e aquela tempestade imensa em cima da minha cabeça. Refleti o caminho todo, não sou como eles, pensei, e é isso que importa. Enquanto mergulham em águas turbulentas, eu vivo a minha fé, e caminho por jardins límpidos. Claro, tenho muita vontade de curar suas pragas, mas não sou capaz, só eles próprios podem acabar com um padrão imposto em seu interior. Só sei de uma coisa, algum dia a própria terra em que estão plantadas, cobrará o preço, o inverno chega e só fica quem é verdadeiro e saudável por dentro.

RECALCULANDO ROTA Cá estou eu novamente, sentada em minha cama, olhando para o infinito, em uma sexta-feira à noite. Você deve estar se perguntando: o que uma jovem de 17 anos está fazendo em casa em um dia desses? Deveria estar, no mínimo, em uma "baladinha" qualquer. A minha r…
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RECALCULANDO ROTA Cá estou eu novamente, sentada em minha cama, olhando para o infinito, em uma sexta-feira à noite. Você deve estar se perguntando: o que uma jovem de 17 anos está fazendo em casa em um dia desses? Deveria estar, no mínimo, em uma "baladinha" qualquer. A minha resposta será um tanto avassaladora, talvez assuste muita gente por aí, mas é como me sinto de fato: diferente. Já fui de sair muito, ter diversos amigos, paqueras, risadas, momentos bons, mas tudo mudou quando meu GPS interno recalculou a rota da minha vida. Comecei a ler, praticar muitos esportes, estudar, espiritualizar-me, focar muito mais em mim mesma. E meus amigos? Eu ainda os tinha, claro, mas de forma cada vez mais distante. Os interesses não se encaixavam mais; enquanto as conversas giravam em torno de quem ficou com quem, eu queria estar falando de livros, futuro, oportunidades e desejos puros. Para mim, não faziam sentido todas aquelas falas e, no fim, acabei sendo rejeitada por ser muito diferente. Não os julgo. Talvez eu sempre tenha sido dessa forma, mas me escondia atrás de uma pessoa que não tinha nada a ver comigo para ser aceita como uma adolescente normal em uma sociedade rasa. De fato, uma hora ou outra eu mesma iria me distanciar. Tive de aprender a lidar com a solidão na marra, mas, com o tempo, isso virou solitude, o que é deveras diferente. Aprendi muito nesse meio-tempo. Entendi que nossa própria companhia é a que mais importa. Mas agora cheguei a uma fase da minha vida em que eu gostaria tanto de ter um grupo de amigos. E, afinal, onde vou encontrá-los? Não me encaixo em lugar nenhum. Um exemplo são os amigos que tento fazer no esporte. Descobri algo muito estranho aos meus olhos: só é seu parceiro enquanto você apresenta um desempenho inferior ao dele. Sim, eu sei, é triste. Às vezes, tenho a impressão de que a vida virou uma disputa para ver quem é mais orgulhoso, quem tem o ego mais inflado, quem menos dá o braço a torcer. Esse é o valioso, dizem os idiotas. Aí é que eu quebro a cara. Para mim, amizade, relacionamento ou qualquer coisa que envolva o outro envolve empatia. E, quanto mais eu me importo com o sentimento dos outros, mais eu me machuco, mais pedradas levo e mais distante eu me torno. E, se entrar no campo dos relacionamentos amorosos, aí desaba tudo. Sempre, em minha vida, eu fui um quase e nunca uma certeza. Não que eu tenha tido muitas oportunidades, mas, quando acontecia, era assim. Quando, de certa forma, me isolei do mundo, como diz meu pai, "foi o boi com a corda" de vez. Se me perguntar se sou seletiva, a resposta é óbvia: muito. Mas sei que ninguém é perfeito. Tem uns que chegam e, só de olhar, eu penso: "Não têm nada a ver comigo". Querem só rolo, "passar na cara", não pensam em construir algo maior. E há outros que, ao meu ver, seriam perfeitos, coisa rara de acontecer. E, quando acontece, na minha cabeça daria super certo, mas, aos olhos do outro, é impossível. Talvez o problema seja eu, uma pessoa que pensa demais, planeja demais, sente demais, ou talvez eu esteja em um mundo raso demais. Já nem sei mais o que pensar, realmente. Pergunto-me todos os dias quando voltarei a ser um pouco mais normal, a ser aceita novamente, a socializar com facilidade, quando finalmente terei um namorado. Penso que possa estar destinada à solitude eterna. Apesar de tudo, no fundo eu a prefiro, mesmo doendo demais. Só quem passa por isso sabe. Penso que boa parte da minha geração vive em torno somente de festas, bebidas, baladas, drogas e redes sociais. Nem falarei das indumentárias; complica demais. Como posso me encaixar nisso? Será possível não existir ninguém parecido comigo? Óbvio que existe, mas minhas esperanças, no momento, estão desvairadas. E, enquanto não encontro as pessoas certas para caminhar ao meu lado, continuo olhando para o infinito, ou melhor, escrevendo crônicas em uma sexta-feira à noite qualquer.

OLHO DO FURACÃO Como eu queria estar escrevendo sentimentos bons, mas a vida me trouxe aqui, para mais uma reflexão um tanto quanto avassaladora, com a qual talvez muita gente se identifique. Meu sentimento agora, eu diria que é deveras triste e solitário, mas dizem por aí que a…
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OLHO DO FURACÃO Como eu queria estar escrevendo sentimentos bons, mas a vida me trouxe aqui, para mais uma reflexão um tanto quanto avassaladora, com a qual talvez muita gente se identifique. Meu sentimento agora, eu diria que é deveras triste e solitário, mas dizem por aí que as melhores escritas vêm de dias cinzentos. Sendo assim, olho pela janela e me pergunto: por que as pessoas têm tanto medo? Por que insistem em se esconder atrás dele, a ponto de não estarem dispostas a viver? Pois bem, todo ser humano desta Terra tem medo; todo mundo, sem exceção, sente, já sentiu ou vai sentir esse sentimento, e está tudo bem, é a coisa mais natural do mundo. Mas agora é que vem o problema: muita gente por aí perde a chance de sentir, fazer e experimentar por causa do pânico. Tomemos como exemplo uma estação de trem e uma pessoa com um destino predeterminado. Se esse indivíduo não estiver na hora e no momento corretos, corre o risco de perder o trem. Chegando atrasado, pode ser que tenha a sorte de ele também estar fora do horário de partida, o que é uma rara exceção. No pior cenário, aquele que é o mais provável, infelizmente ele terá de esperar sentado no banco o próximo trem passar, porque nenhum maquinista espera ninguém infinitamente. Mas será que esse novo trem vai levá-lo ao mesmo destino? Provavelmente não, e talvez o primeiro nunca mais volte à sua estação. Nesse compasso de espera, criam-se as desculpas para o atraso. E sim, de fato, algumas coisas está tudo bem perder, mas deixar ir tudo e qualquer coisa por se esconder atrás do medo de embarcar? O preço, no futuro, pode ser alto demais. Como eu disse anteriormente, todo mundo tem medos, mas há quem esteja disposto a enfrentá-los. Quem realmente quer, tenta, continua, persiste, dá um jeito. Por mais impossível que seja alcançar aquele vagão, por mais pedras que haja no caminho, por mais árdua que seja a caminhada, quem quer, vence! Mas aí vem a pergunta: o que eu faço com meus medos, inseguranças e traumas? Coloca no bolso e vai. Enfrenta, seja corajoso, não deixe passar a oportunidade da tua vida por causa de um sentimento desses. Entretanto, a vida é difícil mesmo; é uma batalha diária, não é um conto de fadas para ninguém. O meu conselho para mim, para você, leitor, e para qualquer pessoa deste mundo é: viva, arrisque, permita-se sentir, mas não espere estar pronto para tudo, não espere o momento ou a fase certa da vida. Experimente tudo em meio ao caos da rotina, do mundo; enfim, vista o arquétipo do louco e vai para cima. Se não for no meio do olho do furacão, então nunca vai ser. Caso contrário, a vida cobrará o preço por meio do arrependimento, que pode não ter mais volta. Então, se prefere ficar seguro, fique; quem não sai da zona de conforto não muda a vida nem para melhor, nem para pior. Na minha visão, prefiro passar pelo medo da mudança, mesmo que isso pareça infinitamente difícil — porque é, eu sei que é —, do que ficar estagnada em um só lugar pelo resto da minha existência. O não dar certo vira experiência e história para contar; é disso que precisamos: bagagem. Que graça tem a vida sem enfrentar aquilo que tanto tememos? No final, o maior fracasso não é tentar e dar errado, e sim deixar o medo decidir por nós mesmos.