Frase de A. Sampaio
Aprendi que as maiores saudades são do não vivido. Os ciclos que findaram, as alegrias vividas até o último centímetro, as pessoas que amamos até quando deu, deixam marcas, ficam as digitais em nós. Ou não. Mas em mim a saudade que sinto é do que eu não vivi e jamais viverei. Todas as possibilidades que algumas escolhas determinaram que não poderiam ser. Outras que eu nunca pude interferir pra que fosse diferente e nem o faria. Mas preciso admitir que ao pensar sobre o que poderia ser, não sinto tristeza nem pesar. É saudades mesmo. Saudade da parte que existe dentro de mim e em nenhum outro lugar poderá ser também, saudade do pedaço que só é real em um outro alguém, mesmo que nunca aconteça. Saudades dos caminhos pelos quais não passarei pois me levariam a destinos que não fazem sentido pra mim. Saudades de uma história não vivida, mas que teima em algum lugar da minha mente, surgir e me trazer justamente isso, saudade e que saudades. Uma saudade que não mata, não entristece, mas não diminui, não some, não se dissolve e não me deixa. Um sentimento teimoso, insistente, que escapa pelos dedos, entra pelas brechas e de repente se senta no sofá. Faz companhia, mas faz ausência dentro da gente, faz morada, mas é tão solidão, faz forte e faz com que ser forte, seja a única opção. É uma contradição capaz de explicar o que não é óbvio, inexplicado e inevitável. Me questiono se há possibilidade de escolher não sentir, nem saudades, nem mais nada. Seria tão mais fácil não é mesmo!? E aí essa saudade se senta ao meu lado pra dizer que não é simples viver, que não é opcional sentir e que ainda bem que ela está aqui, sinal de que ainda há sentimentos pra florescer. Me contento em seguir sentindo essa teima, na esperança de que ela floresça em futuro e que um dia, esse jardim se torne apenas uma das estações em que a minha vida precisou parar, mas seguiu, assim que a saudades se transformou em lembranças. Por enquanto eu insisto em seguir, ainda que com saudades, um dia de cada vez.
No pensador.ai desde