Pular para o conteúdo

Frase de Jose Luis Lima

"O Silêncio de Não Ser Pai" Não sou pai. E há nisso um espaço — não de vazio, mas de eco. Um campo onde o tempo passou, e deixou intacta uma terra que poderia ter sido semeada. Não ser pai não é ausência de amor. Talvez, seja amor que não precisou de nome, que não se debruçou sobre berços, mas se espalhou em gestos, em presenças sutis, em silêncios partilhados. O mundo, com sua pressa de moldar destinos, parece esperar que todos sigam a mesma trilha: encontrar, gerar, ensinar, repetir. Mas e aqueles cujos passos desenham outro mapa? E aqueles que escutam a vida por outros ângulos, sem o riso de um filho chamando pelo corredor? Às vezes penso: teria sido bonito... Ser chamado de pai com a voz trêmula de uma criança, encontrar meu rosto espelhado em outro pequeno rosto. Talvez um dia. Talvez nunca. E tudo bem. Há paternidades que não vestem título. Há frutos que não brotam do sangue, mas do cuidado que deixamos pelo caminho. Já fui abrigo, já fui raiz, mesmo sem ter dado nome a ninguém. Não ser pai é, por vezes, um caminho mais silencioso. Mas há sabedoria no silêncio, há paz em aceitar que a vida se desenha também nas entrelinhas. E que o que não foi, ainda assim, pertence ao que somos.

Jose Luis Lima

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Jose Luis Lima

Uma das maldições de envelhecer é o refinamento inevitável da percepção: passamos a enxergar, com desconfortável nitidez, aquilo que antes se diluía na ingenuidade — inclusive os lugares onde, apesar de toda insistência, nunca realmente pertencemos.
Há no silêncio… um mundo que grita baixinho, um espaço onde os pensamentos
Continuar lendo

Há no silêncio… um mundo que grita baixinho, um espaço onde os pensamentos ecoam mais alto que qualquer voz. Há no silêncio… lembranças que voltam sem aviso, sentimentos que se revelam quando ninguém mais está por perto. Há no silêncio… um refúgio e também um abismo, onde a gente se encontra ou se perde dentro de si mesmo. E às vezes, é nele que mora a verdade que o barulho do mundo não deixa a gente ouvir.

A pior pobreza é a espiritual — não aquela que se mede em cifras, mas a que se revela na indigência da alma: quando o homem, já destituído de si, abdica da própria consciência e se acomoda na confortável degradação do nada. É a miséria de espíritos que, incapazes de sustentar um…
Continuar lendo

A pior pobreza é a espiritual — não aquela que se mede em cifras, mas a que se revela na indigência da alma: quando o homem, já destituído de si, abdica da própria consciência e se acomoda na confortável degradação do nada. É a miséria de espíritos que, incapazes de sustentar um pensamento elevado ou um gesto autêntico, refugiam-se na mediocridade coletiva e ainda a celebram como virtude. Nessa falência íntima, o indivíduo apodrece em silêncio, e a sociedade, cúmplice, erige sua decadência como norma — um coro de consciências anestesiadas, onde a ausência de grandeza já não constrange, apenas se reproduz.

⁠Antes eu era magia, hoje, sou silêncio. Antes eu era riso fácil,
Continuar lendo

⁠Antes eu era magia, hoje, sou silêncio. Antes eu era riso fácil, hoje, eco por dentro. Antes eu era chama acesa, hoje, cinza ao vento. Antes eu era presença, inteiro em cada momento, hoje sou ausência que pesa no vazio do pensamento. Antes eu era caminho, passo firme, sem medo, hoje me perco em mim mesmo, guardando tudo em segredo. Antes eu era mundo, imenso, vivo, intenso… hoje, sou só silêncio.