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Frase de Adélia Prado

⁠Trem noturno O trem viaja sob estrelas. Tal qual um doutor, o pai veste guarda-pó. ‘Fagulhas entram com o vento, minha filha, e roupa boa é uma só.’ Fagulhas e o cheiro da lenha na fornalha, da graxa em suas unhas como um sinal de nascença. ‘Presta atenção, minha filha, com o trem andando. Uma vez, uma menina espichou o braço na janela e adeus, braço.’ O trem passou. Só ficou o que não morre: esta memória forjada em pó de carvão e lágrimas. Graças a Deus, não preciso dizer: adeus, pai.

Adélia Prado

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Fonte: O jardim das oliveiras. Rio de Janeiro: Record, 2025. | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.

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O que precisa nascer tem sua raiz em chão de casa velha. À sua necessidade o piso cede, estalam rachaduras nas paredes, os caixões de janela se desprendem. O que precisa nascer aparece no sonho buscando frinchas no teto, réstias de luz e ar. Sei muito bem do que este sonho fala e a quem pode me dar peço coragem.