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Frase de Murilo B. Lúcio

Já era Tarde; os falatórios pelas ruas cessaram, as passadas apressadas pelas calçadas sequer pareciam ter existido. O silêncio era sólido, impenetrável, melancólico... Suas paisagens que um dia foram verdes e das mais belas vistas tornaram-se apenas outros lugares, afinal de contas, o que é um lugar bonito caso não existam observadores? Os ruídos de seus Aposentos eram constantes, quiçá ritmados Fazendo assim que a solidão viesse a ser um personagem, Não o típico personagem de diversas falas e reviravoltas, Mas um personagem que se mostrara sempre presente no seu drama e trama. Horários e datas já não lhe faziam mais sentido, já que não havia pelo o que esperar. Abandonara o uso de relógios, na verdade, sequer lembrava a última vez os usara. Não obstante, se pegava pensando: "Relógios só nos são úteis caso queiramos chegar em determinado minuto, segundo." Apesar de tudo, via uma certa beleza na sua companheira solidão Junto a ela, seus pensamentos fluíam, não como água no córrego, mas como a água que atinge o chão e foge em todas as direções e sentidos. Tornou-se peculiar desde que ficara tão sozinha. Acreditava que suas observações sobre a vida, depois de adotar a solidão como um mascote, tornaram-se mais concissas e certeiras, mas quem sabe? Não havia ninguém com quem pudesse discutir sobre, Não havia sequer quem pudesse descobrí-la, estudá-la, sentí-la, Até mesmo adorá-la. Não esperava por momento algum, já que achava a transição entre duas eras igualmente importante as tais, porém, sabia que a solidão juntaria suas coisas e iria embora, não de forma abrupta, mas juntando as coisas devagar, na medida em que a Vida nasce novamente.

Murilo B. Lúcio

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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