Frase de Salomão B. Miguel Domingos
O Duelo do Crepúsculo Quando a luz e as estrevas se acercam, eis que o firmamento estremece. No alto dos céus, onde o dia já não reina e a noite ainda não impõe o seu domínio, Ergue-se o véu onde o sol e a sombra travam combate sagrado. De um lado, o brilho ardente, como espada incandescente, Que rasga as trevas e fere o abismo. Do outro, a noite, senhora do silêncio, Que se insinua como névoa, envolvendo tudo em seu mistério. Nasce então a hora onde o mundo se curva, Quando o tempo suspira e cessa a sua marcha, E a luz, altiva, enfrenta o olhar profundo da escuridão. Não há temor entre os dois, mas respeito e destreza, Como antigos rivais que, na mesma arena, medem forças. O fulgor do sol tremeluz na fronte da treva, E as estrevas, de manto pesado, contêm o seu avanço. Naquele instante, em que a luz se embate com o negro firmamento, O cosmos retém o fôlego, e cada estrela cessa o seu brilhar. É o momento da verdade — o instante em que o claro e o escuro Partilham o trono do infinito, onde nem a aurora reina, Nem a noite absoluta prevalece. Eis o prodígio de forças iguais que se entrelaçam, Pois quando a luz e as estrevas se unem, É nesse duelo que se gera o equilíbrio do mundo. Lisboa, 15 de Outubro de 2024
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