Frase de J.C
Não importa o que eu sinto O que eu sinto não merece deveras atenção Tampouco a minha própria Quisera eu saber arrancar meus desvarios Quisera me indisciplinar Pra disciplinar minhas dores sem causa Beber. Beber como bebi ontem Ou me entorpecer de boa distração Até me livrar do corpo que me encorpa E só sobrar a sobriedade que não vejo Não vejo por causa deles Os meus males - de tantos que são Quero atendê-los todos Pra ver se ora me deixam Me deixam de uma vez. Eles não são nada mas são tanto Tão carregados e tão essencialmente vazios Covardes por não tirarem de mim lágrimas Poderosos pra perturbar de mim toda a paz Fugir e fingir pra achar a verdade Buscar a remissão do que criei Porque me acrescentei pesos que não suporto Me apresentei voluntariamente às angústias Quem pode me livrar de mim mesma? E o que há dentro de mim, afinal? Não me lembro mais! Por isso, quero tirar essa roupa Essa roupa que não é minha E me despir ao vento gélido ... Eu, só, e só então Depois de muito tremer Depois de tanto me envolver Me revisto das roupas que me servem Devo resgatar as alegrias que me cabem As verdadeiras e minhas Resoluta: "Eu volto hoje." Mas antes grito aos céus Sem voz e de ainda lábios roxos Sussurro o pedido de licença Volto e sento em paz à roda dos meus Tem fogo no centro e comida farta Se alegram com meu regresso Me apresentam parede branca Todos esperam para ver minha arte Me amam porque não conhecem minhas trevas? Ou porque delas sabem bem? Meu lar é tudo o que eu preciso "Já vou. Posso só me deitar um pouco? Já já volto à alegria de outrora" Ainda há de se lidar com a saudade Porquanto ainda é fresca Mas já não importa o que eu sinto O que eu sinto não merece deveras atenção Tampouco a minha própria Quisera eu saber arrancar meus desvarios Quisera me indisciplinar Pra disciplinar minhas dores sem causa Beber. Beber como bebi ontem.
No pensador.ai desde